segunda-feira, maio 14, 2007

E é tao árduo....

Escutei outro dia: "Na próxima encarnação quero ser rico". Pensei logo: "antes querer nessa mesma."
Se é para desejar desejos de outros corpos, em outras vezes de sobro divino sobre barro, melhor desejar o, de fato, impossível para essa encarnação.
Já que é assim, melhor desejar o fim, na próxima, do que há de inato ao meu corpo formado de terra e cerveja. Sim, porque o meu barro é assim. aquele barro bêbado, impulsivo, erremediável.
Se, embora muito difícil, posso ser rico nessa encarnação; prefiro não ser tão impulsivo na outra. Prefirirei ser um barro de agua e terra. Um barro santo, um barro recatado, pudente. Mas, repito, na outra. Não nessa, que pudicícia me dá nojo. Nessa, pelo menos.
É como seu eu pensasse: prefiro não ser alérgico ao camarão. Não que o seja, mas, supondo que fosse, melhor não o ser na próxima, que todo o estrago de uma garganta fechada já foi causado. Já nao gostaria, caso alérgico, de camarão. Entao não haveria solução.
Voltando à vaga fria, ou ao camarão... (ia tentar fazer um trocadilho com camarao, mas não saiu), preferirei ser insexuado na próxima encarnação, que nessa, além da impossibilidade, não há qualquer solução. Já sou viciado e preciso de um tratamento, ou um psicologo.
Preferirei ser menos impulsivo, menos racional (sim, paradoxalmente), e, bolas...
...Um homem.

Bolas, preferirei ser, ou um homem macho, canalha, comedor; ou um homem das letras, que não pense mais nada além de ler uma dúzia de livros por semana.

Mas preferirei, porque hoje, o que mais quero é ser o mais proximo de mim mesmo...

sábado, abril 28, 2007

Alguma cousa, qualquer cousa.

A Woman Is A Sometime Thing
George Gershwin
Album: Porgy & Bess-Hlts


Listen to yo' daddy warn you
'Fore you start a-traveling
Woman may born you, love you and mourn you
But a woman is a sometime thing
Yes a woman is a sometime thing

Yo' mammy is the first to name you
Then she'll tie you to her apron string
Then she'll shame you and she'll blame you
Till yo' woman comes to claim you
'Cause a woman is a sometime thing
Yes a woman is a sometime thing

Don't you never let a woman grieve you
Jus' 'cause she got yo' weddin' ring
She'll love you and deceive you
Then she'll take yo' clothes and leave you
'Cause a woman is a sometime thing
Yes a woman is a sometime thing
Yes a woman is a sometime thing
Yes a woman is a sometime thing

Mulher é um trem com tempo próprio. Com seu tempo próprio, diria. Absolutamente imprecisíveis... O tempo e a mulher...
Em quanto isso, uma bela garoa na cidade

domingo, abril 15, 2007

Confissão

Sou um Homem bacana. Mas seria bem mais caso não fosse tão infantil, inseguro, ingênuo, fraco, arrogante e imaturo.

Sem muitos problemas, que com o tempo essas coisas se ajeitam... Com o tempo se aprende a viver...

sábado, abril 14, 2007

Sua descoberta? Descobriu que amava. (reeditado)

Nova Ilusão
Paulinho da Viola


É dos teus olhos a luz
Que ilumina e conduz
Minha nova ilusão
É nos teus olhos que eu vejo amor e o desejo
Do meu coração...
És um poema na terra
Uma estrela no céu
Um tesouro no mar
És tanta felicidade
Que nem a metade
Eu consigo exaltar...
Se um beija-flor descobrisse
A doçura e a meiguice
Que teus lábios tem
Jamais roçaria, as asas brejeiras
Por entre roseiras
Em jardins de ninguém...
Óh, dona do sonho,
Ilusão concebida
Surpresa que a vida,
Me fez das mulheres,
Há no meu coração
Uma flor em botão,
Que abrirá se quiseres


Um dia ele acordou e cantava essa música. Na verdade não toda, vou largar de metonímia aqui e dizer que eram somente os três primeiros versos. E a melodia cantava em sua cabeça. Passou assim uma semana completa. Todas as manhãs, e o restante do dia que as seguiam, foram a mesma coisa. Os mesmos versos e a mesma alegria.

Quando já tinha lá algum tempo, pegou seus discos e foi descobrir de qual dos Lps saíram os versos. Demorou algum tempo mas pôde ouvir a beleza da música. E cantou-a por inteiro, alguns dias feliz da descoberta, outros, triste pelo facto dado.

No dia do facto, acordou radiante. Não porque fosse rara aquela situação, que muitas outras vezes recebia mulheres belas em sua casa. E nem diria "mas nenhuma tal como aquela". Diria, aqui, que era a amada, nada mais.

Quando a campainha tocou, abriu e foi correndo ao som, pôs a música tema da amada para que ela escutasse ao entrar.

Ela entrou, falou amenidades, se beijaram, falaram generalidades e ele colocou a música de novo, que não havia cumprido seu papel.

Sentaram-se no sofá. Ela meio desconfortável. Música passou, ela pediu outro album. Ele trocou.
Ela falou que não poderiam continuar o relacionamento, fez um rosto triste, foi-se embora e comemorou seu aniversário depois. Longe. Triste. Triste e longe dele e de si mesma.

segunda-feira, abril 09, 2007

Uma mordida

Namorado levanta. Lentamente, é verdade, para não acordá-la. Põe o jeans surrado, aquela camiseta amassada como uma Camiseta-de-depois. Decide não ser necessário o tênis, que não ia demorar.
Pega os cigarros, o isqueiro. Abre a porta, caminha até a varanda da sala ampla, semi-luxo e voltada, de seu alto de arranha-céu, ao restante da cidade. Luzes, estrelas, uma bela lua. Lua gorda, cheia...

O Namorado abre porta de vidro. Fecha. Sentou-se ao lado de uma mesinha, redonda.
Queda-se alí, a olhar o mundo, o seu mundo.
Ficou um tempo até acender o cigarro. E logo escuta a porta abrir, uma mão no ombro. Mão rápida, forte. Era o pai.


Sentou-se com duas cervejas.


O Pai - Cerveja? Sem sono?
O Namorado - Rola! (A cerveja se troca de mãos) É, só pensando mesmo. (...) E você?
O Pai - Tô pensando. (...) Se eu te pedisse um cigarro, e você me desse, você contaria pra alguem?
O Namorado - Claro que não. Sua filha me mataria por te levar de novo no mundo do vício...
Um oferece o maço, o outro retira um cigarro. A baforada de um abstinente...
O Pai - Pensando no quê?
O Namorado - (...) Na sua filha...
O Pai sorri...
O Namorado - Digo uma coisa em primeira mão: estou completamente apaixonado.
O Pai - Em tão pouco tempo?
O Namorado - Minha vida é um turbilhão. E o amor é tão grave quanto a própria vida.


Silencio longo. Baforadas...


O Pai - Troco uma cerveja por mais um cigarro.
O Namorado - Tá.


O Pai foi e voltou.


O Pai - E ela?
O Namorado - Não sei. Seus olhos me amam. Mas algumas pessoas demoram a vislumbrarem os próprios olhos. Mas logo ela descrobre, se já não tiver descoberto.
O Pai - O Amor é uma grande mordida. É realmente mordaz...


O papo se perdeu em outras coisas. E só muito tempo depois Ela saberia o porque de tanta ressaca no dia seguinte, causa do fim de toda cerveja e de meia garrafa de wisk.

sábado, abril 07, 2007

...O Passado?

"(...) só o revisor aprendeu que o trabalho de emendar é o único que nunca se acabará no mundo."
[Saramado, História do Cerco de Lisboa, p. 14]

segunda-feira, abril 02, 2007

Cândido

Deitados. Ela, seminua. Ele, nú. Cafunés e olhares contemplativos.


Ele - Sabe o que tenho medo?


Ela olha como que surpresa e cheia de atenção.


Ela - O quê?
Ele - ... de, quando agente se separar, você me maldizer e querer esquecer tudo.


Ela sorri apontando sua incredulidade.


Ela - Eu nunca vou fazer isso!
Ela dá um tanto de pequenos beijinhos...
Ele - Vai sim... Vai apagar meu nome de sua agenda, vai fazer tudo aquilo que todas as mulheres fazem...


Ela sorri olhar de ternura que somente uma mulher é capaz.


Ela - Você foi o mais lindo homem que já tive na vida. Nunca vou te esquecer. Eu te amo...
Ele - Sim, eu sei que você me ama agora, sei que você nunca vai me esquecer, sei que sou o homem da sua vida. Mas um dia, minha linda, você vai querer me apagar. Como se eu fosse um desenho feito com lápis. Mas não, querida, sou como tatuagem...

sábado, março 31, 2007

A questão é que estou com vontade de postar algo. Então ai vai um pequeno texto, que não ia postar, achando que está ruím.
Ia, inclusive, postar uma foto, mas nao ví sequer uma imagem que brilhe tanto quanto essa mulher...
De qualquer maneira, antes que eu desista:
"
A Mulher que Brilha,
possui algo que pe só ela. Possui uma pequena faicha de pele que fica entre a camiseta lisa e a calça jeans.
A Mulher que Brilha possui um jeito doce qualquer, e olha para o horizonte sem sequer pensar.
E pensa em sí, nos amores partidos, na vida ida.
Pensa ao passar pelos corredores, ao ficar nos ônibus. Pensa nos entre-caminhos e num possível entre-cruzar de olhos. Num homem qualquer que a olhe e pense: "é ela!".
E que não seja recatado ao pondo de nao pedir-lhe referências. Um homem que lhe pergunte o nome, sugira o bar, lhe roube o beijo, lhe tire a calça. Tire a calça como se fosse a primeira mulher; e que si conheça a si mesmo como se fosse a última.
A mulher que brilha, menina reluzente, quer esse cara que a trate como primeiro presente; e esse cara que se conheça como se, depois de todas as mulheres do mundo, adquirindo sabedoria tamanha, pudesse simplesmente olha-la para dizer: "é Ela!".
"

domingo, março 25, 2007

O fim da soberba?


Sua liberdade e, quiçá, sua própria Felicidade Plena, era baseada numa qualquer arrogância, uma 'consciência' de que "o que passou, passou". Era cheia de si mesma, não podemos negar. E qualquer coisa de sua segurança a respeito dos "próprios desejos" era a marca de seu sucesso.



Era bela, autiva e autodeterminada. Teve dois amores, e, no processo do segundo, se autonegou de tamanha maneira, e teve seu Presente de tal modo colocado em xeque por seu Passado, que nunca mais pôde dizer: "será assim".



A pequena garota ganhou, então, o que chamam de um pouco de sabedoria. E perdeu a Felicidade Plena. Isso porque somente poucos podem com ela [com a Felicidade Plena]. E a garota mesmo sabia de sua raridade por se dizer plenamente feliz.



De certa maneira, Sua a Felicidade Plena é um belo atributo da ingenuidade. E da arrogância de se saber ser o que não se é.

sábado, março 03, 2007

Quando eu reencarnar, não quero nada de estrelas cadentes avisando. Mas de certo copiaria algumas coisas, como três garçons magros me levando presentes. Melquior nao seria um bom nome, votaria, portanto, em Olimpio, que sempre me pareceu nome de garçon. Este levará nao ouro, mas algo como um Visa International Gold. De incenso estou cheio, e o segundo garçon, de nome Gaspar mesmo, levará um charuto de Havana. Ao contrário de Mirra, que serve para embalsamento, o chinês Chan Lieh Dong me trará um belo Scotch Whisky contrabandeado via Paraguai.
E como nascerei em alguma cidade latina para liderar os bárbaros à luta contra a sociedade judaico-cristã ocidental, receberei o nome de Ramires da Silva. E posteriormente serei conhecido por Ramires de Ramires. Primeiro porque acho sonoro, depois porque Ramires é uma freguesia portugues do concelho de Cinfães, com 11,37 km² de área e 138 habitantes. Lugar perfeito para iniciar a revolução religiosa e salvar a humanidade.

Em tempo: não farei qualquer discurso em lugares públicos. Revelarei a verdade, a princípio, por via de blogs. Isso em função de justiça ao Google, que eu jamais imaginei a existencia de uma freguesia de nome Ramires em portugal. A propósito: não faço idéia da localização de Cinfães. O Google me faz um cara muito erudito, pois nem sabia o nome dos Reis Magos, nem o que diabos é a mirra.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Você já foi um Sundae???


Tenho uma grande dificuldade em escrever essa palavra. Deve ser porque sempre penso em dias ensolarados, e os sorvetes... num Sun-day. Na verdade, o Domingo, que é um dia muito próprio para um sorvete, nem me vem em memória. Lembro do Sun-day. Graças ao meu inglês precário e minha facilidade de associas palavras longe de seus próprios sentidos...


São engraçadas estas referências entre um termo e outro. Tipo aquela brincadeira, que aqui ficaria assim:


Sorvete, frutas, chocolate, chantilly. Dia de Sol. Sunday. Colorido. Alegria. Calça colorida. Pessoas divertidas.


Ou algo do gênero, que nao sou muito bom com essa brincadeira. Sou muito prolixo e pouco ligado às palavras soltas. Gosto é de vírgulas e figuras de linguagem desconexas.


De qualquer maneira, lembrei-me ontem, antes de dormir, de "Sundae", e de uma pergunta:

- Você já foi um Sundae?


Achei bonito isso, que pessoas-'sundae' são pessoas coloridas, divertidas, alegres. Pessoas-diaDeSol. Ou, de outra forma, pessoas felizes no Sunday. Você já foi uma pessoa feliz num Domingo? Com calças coloridas, que adoro pessoas com calças coloridas. Tenho uma vermelha, mas que só uso em dia de festas, ou noite de orgias... O que dá na mesma.


Sunday, na verdade, tem origem como, realmente, Dia-de-Sol, num daqueles sentidos (Sol) dos dias da semana associados à origem greco-romanas. Ou estaria equivocado?!


De qualquer maneira, gosto de pessoas coloridas, sempre procuro pessoas coloridas.


E você, já foi um sorvete colorido, com chocolate, frutas, coisas coloridas, num Domingo de Sol?

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Os ocidentais não conseguem pensar na Perda Eterna


Quando morrer, as pessoas ficarão de fato surpreendidas. Irão aos seus emails e buscarão por meu nome. Ficarão surpreendidas, que aquela felicidade não permitiria a morte. Felicidade nenhuma permite o fim.


Lembrarão de mim e serei aquele bobo da corte, divertido, animado, inteligente e com uma certa dose de sabedoria. Não serei nem aquele amigo ou namorado brilhante, mas simplesmente algo que parece marcar. Serei uma pessoa boa de lembrar, de tomar cerveja, de fumar cigarros e qualquer coisa do gênero.


Dirão que eu teria futuro, que era bem resolvido, que tinha muitos amigos.


Não entenderão o porque da reação a um pequeno assalto, para salvar um cartao de celular que custa R$ 10,00.


Não pensarão, na verdade, que nele está muitos de meus telefones, muitas de minhas lembranças e muito de meu pouco dinheiro muito suado.


E entrarão, quem sabe, pela primeira vez no meu blog. Que ficará no ar quase que eternamente, incomodando os outros pela falta. Ficará no ar, que ninguém sabe da senha que o desativaria. Embora tão óbvia...


E chorarão muitas vezes por postagens d’antes nada tão emocionantes.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Quando você é uma sementinha....

Te guardo no travesseiro. Sabe, como o dente para a fadinha?! E te guardo junto com uma bala, daquelas de goma e bem coloridas. Amarro você ao com seus próprios cabelos, um fio ou outro... nada de mechas.
Enquanto durmo, ponho a mão, fico com os dedos juntos a você, te guardo como uma concha à pérola; e o calor, por baixo dos travesseiros, faz com que eu agüente o sem jeito dos braços, que doem um pouquinho...
Se você não fosse assim, tão pequenininha, por debaixo do meu travesseiro, quase acharia que o sono vem como minha cabeça no seu colo...
Mas não é verdade, que você está tão longe que não poderia ficar abraçado. Posso somente guardar entre minhas mãos e sentir seu cheiro.
(Sabe aquelas sementinhas que podem ser postas no travesseiro e fazem dele um enorme perfume macio?) Pois é...
Você faz meus sonhos terem cheiro... E acordo de manhã e você está lá. Pelo cheiro em minhas mãos....

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Diagnóstico: hiperativo mental com sérios riscos à sociedade...

Tem momentos que penso ser um hiperativo. Não daqueles que não poderiam ficar de frente ao mar, olhando o pôr do sol. Posso ficar durante muito tempo assim, ou olhando as estrelas.
Minha hiperatividade seria mental. Penso muito. Dezenas de coisas, se não simuntâneamente, umas por trás e por frente das outras.
Sou um tímido introspectivo nos próprios pensamentos. Sim, bobagem! Tenho, na verdade, uma vontade de falar com todos, como se mostrasse ao mundo: "Penso". Sou um megalomaníaco que pensa ao mesmo tempo nas próprias (im)possibilidades. Nas mulheres da minha vida, nos países em que morarei, na carreira acadêmica e em quais liguas seriam minhas prioridades de aprendizado.
Sou um canceriano que, como tal, pensa no passado. Sou um aflito pelos erros cometidos por mim. Um Don Juan de araque que se julga responsavel pelas amadas e pelo o que elas pensarão dos homens depois de mim. Sou um orgulhoso que gostaria de ser considerado um homem diferente (leia-se perfeito).
Mas nao se animem, meninas, que sou iguais aos outros, e morro por isso.
Sou a exigência em pessoa. Exijo os poucos comportamentos que acredito serem, de fato, imprescindíveis: não jogar lixo na rua, ser leal com as pessoas, jogar a vida de modo aberto e, senão o sentimento de compaixão, que é muito cristão para mim, pelo menos o sentimento de olhar. olhar para as pessoas. Dizer o que se pensa e pensar nos outros.
E o desconforto disso vem do fato de que nao se pode descuidar: um único momento de cegueira pode ser fatal para aquele que se acha um "paladino". E todo "paladino" está fadado à um momento de frustração. É a questão de pensar. Quando se começa a pensar, nao tem volta. Quando se começa a ser exigente com as ações próprias, nao tem retorno. Todo cuidado é pouco.
Na verdade, nao gostaria de ser diferente. Um pouco menos arrogante? Talvez.
O problema da arrogância é que ou ela coloca os outros como desviantes, ou nos coloca a nós mesmos...
Sim, um pouco menos arrogante. Pensar menos que eu poderia ter sido melhor. Porque sempre se pode ser melhor...

terça-feira, janeiro 23, 2007

O maio equívoco das mulheres é que elas acreditam naquela história de que são mais frágeis e inseguras do que os homens.
A fragilidade e a insegurança é a real Unidade Psíquica do Homem...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Duas

Buena Vista Social Club
Composição: Eusebio Delfín

En el tronco de un árbol una niña
grabó su nombre enchida de placer
Y el árbol conmovido allá en su seno
A la niña una flor dejó caer.
Yo soy el árbol conmovido y triste
tu eres la niña que mi tronco hirió
yo guardo siempre tu querido nombre
y tú , que has hecho de mi pobre flor?

Sinceramente? Mesmo? Ainda acho que nenhuma entrega é demais. Que nenhum nome não deve ser marcado. E que toda flor, toda bela flor deve...
Toda bela e triste flor nunca é triste ao ponto de nao ser dada. Toda flor deve... ser dada, para ser bela.
E que a todo nome marcado devemos dar a pequena flor. Aliás, duas. Duas gardênias brancas que dirão...

(Isolina Carillo)

Dos gardenias para ti
Con ellas quiero decir:
Te quiero, te adoro, mi vida
Ponles toda tu atención
Que seran tu corazón y el mio

Eu sempre guardo os nomes e mantenho as flores na água...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Sei lá, sei não

Sei lá a Vida Tem Sempre Razão
Vinicius de Moraes

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação
Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
A vida tem sempre razão
A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não
Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão

Em novembro de 2005 iniciei este blog. Na verdade não lembro exatamente como aconteceu, pelo menos com relação ao nome e as datas. Não sei se ele já estava aberto e sem nome; ou se esteve com nome, e ganhou inscrição virtual. Lembro, entretantos, que o nome deveu-se à música, e, retornando agora ao histórico, a primeira postagem foi sobre o samba e a tristeza, ou algo que valha. Fiquei impressionado, na época, com essa música porque sempre a imaginei com o refrão "sei lá, sei não", e sempre achei que essa métrica era a métrica.
Mas não. No filme Vinícius eu vi que um "sei lá" era seguido por outro. Coloquei, então, um sei não. E assim o blog iniciou. Sei lá, sei não.
Hoje minha mãe me disse que tem uma versão dessa música aparece tal como é o titulo do blog. Deve ser com essa versão que conheci a musica a princípio, e assim ficou em mente.
Indo agora ao oráculo, digo Google, digitei o "sei lá, sei não", e ou apareceu uma música qualquer dos racionais, ou apareceu referências ao meu blog. Não tenho dúvida agora, está patenteado.
Escutando a musica hoje, e retornando à letra, chamou-me atenção novamente.

A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não
Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão

Uma coisa termina pra outra nascer. Para nascer em amor, em paixão, como uma lógica fantástica, bela. O nascimento da paixão aparece mais ou menos assim na música. Têm de ser reposta e sempre, ou quase sempre, para não ser determinista, acaba. Quase como o arco-íris.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Arco-da-aliança

Imagina (Valsa sentimental)


Antonio Carlos Jobim / Chico Buarque

Imagina, imagina
Hoje à noite a gente se perder
Imagina, imagina
Hoje à noite a lua se apagar
Quem já viu a lua cris
Quando a lua começou a murchar
Lua cris
É preciso gritar e correr, socorrer o luar
Meu amor
Abre a porta prá noite passar
E olha o sol da manhã
Olha a chuva, olha a chuva
Olha o sol
Olha o dia a lançar serpentinas
Serpentinas pelo céu, sete fitas coloridas
Sete vias
Sete vidas, avenidas, prá qualquer lugar
Imagina, imagina, imagina, imagina
Sabe que o menino que passar debaixo do arco-íris moça, vira
A menina que cruzar de volta o arco-íris rapidinho volta a ser rapaz
A menina que passou no arco
Era o menino que passou no arco
E vai virar menina
Imagina, imagina, imagina, imagina, imagina
Hoje à noite a gente se perder
Imagina, imagina
Hoje à noite, a lua se apagar


Ontem vi o arco-íris mais bonito da minha vida. Aliás, eram dois. De fora a fora no horizonte de minha janela. Um acima paralelamente do outro. Daí lembrei desta música. E achei-a mais linda ainda, com suas serpentinas coloridas, sete avenidas pra qualquer lugar.
Deu para entender o que há de onírico com os arco-iris. Nunca consegui antes me imaginar passando embaixo de um, mas ontem... Quase me ideei virando menina, ou achando um pote de ouro.
Ou melhor, achando um parque, com comidas e bebidas, e os melhores de meus amigos, de meus amores, de meu passado.
Seria, ao atravessar aquelas cores, como o paraíso que não posso esperar, já que não creio... Seria uma grande festa, com todas as amadas e os amigos que não se dão, abraçando-se todos, bebendo... Qui ça alguns deles nús, pulando na água... Seria um bacanal completo, sem necessária alusão sexual. Seria a festa do vinho e do pão, do amor e das risadas.
A mais bela metáfora, esse arco-íris. Seria a metáfora de meu passado, que com toda as sete cores abrindo a porta do presente pro passado passar, estabelecer... no luar, meus amigos ficariam a cantar. Seria o melhor do pretérito, transformando-se em presente, sob uma nova forma, já que o passado deve sempre ser passado, embora presente, à sua maneira.
Sob outro aspecto, o passado não poderia ser como o arco-íris, que passa ligeiro. Mas é. É presto. O passado e suas cores deveria se mostrar mais presente. Ou melhor, mostrar-se como presente, e ficar mais tempo. No meu caso, pelo menos, o passado faz-me o que sou. Mas acho que tratamos muito do passado como o arco-íris é tratado pela luz, que só o permite pouco tempo.
O arco-íris de ontem foi tão ligeiro mas tão lindo. E minhas cores ficarão da seguinte maneira: Buscarei tratar o passado no quadro de avisos, com fotos e lembranças. Quero que o passado não seja a "lua cris". Quero que o passado esteja a vista do presente, para que minha cores sempre me lembrem que sou colorido graças a elas. Tentarei olhar meu quadro de cores como um parque.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Tão presto quanto o digitar de um Brijo

Só não te quero um tempo. Um tempo para escrever, para lembrar das quintas, para olhar o calendário, para pensar no quanto te amo.
Só não te quero um tempo, tempo de minhas saudades, aquelas viagens e todos os dias seguintes às bebedeiras titânicas.
Só não te quero um tempo, curto tempo, que provo que te amo, que escrevo meus segredos.
Só não te quero um tempo, que preciso para escrever dúzias de páginas, com letras trêmulas transcritas de última hora em papéis coloridos.
Só não te quero um tempo, que preciso escolher os envelopes, as cores, decidir se vou ao correio e pensar na embalagem do presente.
Só não te quero um tempo, que o tempo é absolutamente necessário, que sou menino sem dotes produtivos, gasto muito papel e sempre rasuro minhas cartas.
Só não te quero um tempo, que preciso de mim para produzir para você. E sobre esse tempo, digo-te: poucos dias para tentar mostrar.
Mostrar que, se não me quero só em tempo algum, e se não te quero só um tempo, e se não te quero só em tempo algum, o tempo que eu quero é para mostrar que, fora ele, te quero toda. Todo tempo e o tempo todo.
E que o tempo que não te quero é tão curto que passa em prestíssimo, ao passo que meu amor por você é grave, e nada melancólico.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Ronin

[considerem issocomo ]
[uma figura de um Ronin. ]
[Não achei algo do gênero... ]
Pior do que o traidor repleto de confiança é aquele inseguro. Do traidor pleno não se pode esperar nada mais. Do segundo, nao se espera, não se julga, nao se considera. Até o momento da queda...
O traidor pleno sabe o que está fazendo e quase não pensar em agir de modo diferente. O outro pode saber ou não o que faz, e se remói por saber um monte de maneiras de fazer diferente. O pleno não se trai, o outro não faz nada além de trair a si mesmo. O primeiro sabe de si próprio, o outro, nem isso.
O traidor pleno sabe da fragilidade do mundo, de sua própria, e justifica seu atos, justifica sua (in)significação. O traidor amador não, não sabe de sua fragilidade, e fala da fragilidade mundana.
Este é frágil, um fraco que mal sai do lugar. Trai-se e pensa em como pôde, como foi capaz. Perde a honra, perde o chão e se sente o pior dos mortais. Isso é o seu orgulho. Aponta aos outros e se pergunta "como são capazes", mas não olha a si mesmo até o momento da falta. E neste ponto vê que o sonho de justeza é tão vão e sem propósito... não obtém a redenção, pois sabe que nada justifica. E que ele nada mais significa.
O outro nasce redimido, não precisa da provação dos outros e se vê como estabelecido na ordem. O inseguro aponta a desordem na sua ordem e se vê, no auto de seu orgulho, como o redentor, como aquele que carrega a bandeira da seriedade. É, no entanto, um paladino pronto à desonra de seu Deus. Um samurai que deixa seu mestre morrer, foge, e permanece vivo. Quando o traidor de si mesmo se vê como tal, perde a sua função.
E, fora dela, nada mais acontece. Perdeu seu propósito e se sente tão envergonhado que não se olha mais no espelho. E não é capaz de olhar para seu senhor caído. É tão orgulhoso de sua espada, que a falha representa um desejo remoto de abandonar tudo, e partir como um Ronin. Sem honra e pelo mundo...