terça-feira, setembro 25, 2007

E colecionarei fotos tal como condecorações.

Ai, meu amor.... não se vá. Todo amor é mais que a foto. Sua foto não bastará, e te olho como uma futura estranha. Tento, ademais, marcar sua pele, o cheiro, o jeito de despir, e ficar assim... ao léu, esperando o vento ou o aquecimento. Meu aquecimento é global, querida. Ponho em culpas tudo o que poderia ter feito e sei de todas as suas pintas. Não te olharei novamente sem imaginá-la nua. Sei que seu corpo é imperfeito, sei dos ossos ligeiramente tortos, o jeito de sorrir e de falar de graça em tudo. Sei das (suas ) mais perfeitas (in)satisfações, do modo de negligenciar, do modo de pensar, da maneira de desejar.
Te encontrarei e saberei, sinto, cada momento de impaciência. Sentirei a distância e a mais absoluta (sua ) vontade de ficar só.
Vai, querida. Fica só com outro. Faz planos. Sonhe. Mate-me com o sentimento de que não serei nem uma fotografia na parede. Vai, querida! Sua (futura) mesquinha e justa vontade será divertir-se enquanto estarei no fundo de uma gaveta.
Mas saiba, você continuará na (minha) parede. E esta cidade ficará cada vez mais pequena, que cada lugar e esquina me lembrará vocês.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Coisas e seus lugares

"Um caminho, um motivo, um lugar
Pra eu poder repousar meu amor"
Los Hermanos

De um modo geral, a questão é que as coisas mais importantes da vida nós não as encontramos. As coisas nos encontram. Toda [nossa] forma de necessidade nos é dada. e, na cadencia da vida, breve, somos que esperando os enunciados quase que já respondidos. Pensando nos últimos vários anos, penso que aquele vivido não foi muito além ou aquém do que me era necessário ou estritamente desejável.
Foi como se o "fim das contas", que todo fim da conta é o presente, não passasse do que mais me fizesse menos arrogante e menos intolerante.
Meu presente foi o modo de os objetos vívidos, profissionais ou pessoais, se apresentarem. E, a partir daí, pude repousar todo meu amor por eles.
Sim, ficou gay. Mas é um modo de dizer que a felicidade nos encontra, e o que tem de ser é.

Ps. 1: Pobreza cai mais com Lula do que com FHC, diz pesquisa. (Na verdade, quem diz é a Carta Maior).
Ps. 2: Sim, o trecho da música está sem contexto.
Ps. 3: O profissional também é pessoal, é claro.

domingo, setembro 16, 2007

Borboletas


Fiquei por pensar em borboletas hoje.
Fui ao teatro e a última frase foi como que salvadora de toda a peça. Não tenho, de qualquer maneira, por demais capacidade de lembrá-la. O google, nosso oráculo, não me ajudou. Mas foi uma frase com algo sobre estórias miúdas e o modo como acabam sendo chamadas de experiência. Nossa vida e nossas estórias miúdas, ordinárias, experimentais...

Acabei por ficar ligeiramente triste. Aquela tristeza pouca. Aquele banzo, quem sabe, e algum sentimento de 19 ou 20 anos.... Do tempo em que eu não me bastava, e todas as mulheres do mundo pareciam me jogar a favor de qualquer destino de solteirice.

Parece-me, na verdade, que todo longo relacionamento leva-nos ao potencial da auto-estima e ao estado de sermos rigorosos. Se antes valia (quase) qualquer uma, com o tempo, valem-nos poucas. Não que as pessoas percam seus encantos, mas estes passam a ter como o embate a história. E isso não é pouco.

Mas apesar da minha rigorosidade e a auto-estima possibilitada pela - bela - experiência, hoje foi como se cada uma das minhas belas cachopas não tivessem passado da mais absoluta sorte. E a deusa da sorte, a Fortuna, é caprichosa. Sou um homem absolutamente desinteressante e introspectivo. Coisa pouca demais para ela se preocupar comigo.

Voltando às borboletas. Transformam-se, algumas, em camarões. Adoro-os. Mas sou alérgico.

Ps.: foda essa imagem que peguei de um blog que nem olhei direito....

sexta-feira, setembro 07, 2007

...

Foto: Catarina Valle

"Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a Terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo que é vivo morre." (Trecho de Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna)

Vi esse filme novamente hoje. Um filme bonito, engraçado, com um belo texto, como o trecho acima.

Mas na verdade, não que venha aqui dizer da belesa da cultura brasileira ou qualquer coisa do gênero.

na verdade, pensei no no texto acima de outra maneira:

"Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a Terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo que é Humano num só rebanho de condenados, porque tudo que é vivo ama."

Não sei, só sei que é assim...

Sem título

Normalmente demoro 40 minutos do centro à casa; até 1 hora e meia, no caso de engarrafamentos. 20 minutos com o transito livre.


Hoje, no entanto, 2 horas e 40, em horário de trânsito tranqüilo...obvio que alguma coisa acontecia, naquela feição de andar a poucos e poucos metros. Foi realmente difícil uma viagem que não chegava ao fim...


A via expressa, que depois de determinado ponto não tem mais saída, mostrou o acontecido lentamente. E o motoqueiro jazia dentro de um saco preto. Naquele momento, foi como se o mundo fizesse silêncio. E quase todos do ônibus olharam...

Construção

Letra e música: Chico Buarque


Amou daquela vez como se fosse a última

Beijou sua mulher como se fosse a última

E cada filho seu como se fosse o único

E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina

Ergueu no patamar quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo num desenho mágico

Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado

Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe

Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago

Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado

E flutuou no ar como se fosse um pássaro

E se acbou no chão feito um pacote flácido

Agonizou no meio do passeio público

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego



Amou daquela vez como se fosse o último

Beijou sua mulher como se fosse a única

E cada filho seu como se fosse o pródigo

E atravessou a rua com seu passo bêbado

Subiu a construção como se fosse sólido

Ergueu no patamar quatro paredes mágicas

Tijolo com tijolo num desenho lógico

Seus olhos embotados de cimento e tráfego

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe

Comeu feijão com arroz como se fosse máquina

Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

E tropeçou no céu como se ouvisse música

E flutuou no ar como se fosse sábado



E se acabou no chão feito um pacote tímido

Agonizou no meio do passeio náufrago

Morreu na contramão atrapalhando o público


Amou daquela vez como se fosse máquina

Beijou sua mulher como se fosse lógico

Ergueu no patamar quatro paredes flácidas

Sentou pra descansar como se fosse um pássaro

E flutuou no ar como se fosse um príncipe

E se acabou no chão feito um pacote bêbado

Morreu na contramão atrapalhando o sábado

terça-feira, setembro 04, 2007

Daí usam do monumento, é claro.

Tá, confesso. quase chorei na exposição do Niemayer do Palácio das Artes. De um misto de felicidade e tristeza, sentimento tão contrastante quanto a própria produção do arquiteto. De um lado, sempre produtor de monumentos governamentais; de outro, histórico homem comprometido com as mudanças sociais mais de esquerda no mundo. Comprometido com a monumentalidade e com o povo, com a mudança.

Tá certo, conforme o arquiteto disse, "da arquitetura só ficam os Monumentos". A pirâmide de Gisé e o Versalhes continuam lá, muito embora não sejam as próprias utilizações simbólicas de seus momentos. Parece-me que o compromisso arquitetônico do poeta das curvas é com a beleza.
E não restritamente arquitetônico, e segundo ele, importando mais que a própria arquitetura, "o que importa é o compromisso social".
De qualquer maneira, e a esse respeito só digo isso, fica o destaque para o novo Centro Administrativo do Estado. E com o primeiro texto da exposição sendo do Aecinho, ligando Niemayer historicamente ao Tigrão do Tancredo, é claro. É tudo muito claro.
Mas que as linhas são bonitas, isso elas são. "Como a mulher preferida (sic)".