Sabe aquele mestrado, da comunicação?! Pois é.... Fui reprovado. Foi reprovado o mesmo projeto que em 2008 foi aprovado...
Sexta-feira, Outubro 09, 2009
Segunda-feira, Agosto 31, 2009
Confissão
Sim, excelentíssimos. Estão certos em uma coisa: sou culpado por ter-me distanciado dos padrões morais. Não digo tanto aqueles verticalizados, estruturados, ditados de modo curto e grosso pelo coletivo. Não. Minha pena é maior: posso ser acusado do distanciamento de minhas próprias leis. Não que sejam tão somente minha, que isso não há. Leis coletivas, sem dúvida; mas leis adotadas, legitimadas, discursadas, apontadas em meus maiores momentos de oratória como o semblante de um devir humano, de um modo mais íntegro de existência.
Por este caminho, minha culpa não é tanto uma questão de ter-me desvirtuado moralmente. Não foram, então, tão somente suas leis as quebradas. Não me redimo. Pelo contrário, que o homem é tão mais culpado quanto quebra suas próprias leis.
Acertam os que vêem nessas palavras alguma onda relativista. Sem dúvida. Meu pecado é, pois, antropológico. Sou culpado por ter tolerado minha mais absoluta desculturação. Se não podem me culpar por ter sido arrancado do meu espaço, do meu tempo, da minha rotina, dos meus sonhos; podem me culpar por negligência e traição simbólica. Podem me culpar por, em momentos de maiores violências sobre mim praticadas, não ter levantado-me, não ter gritado, não ter vindo a essa côrte e dito: “ajudem-me a eu ser eu mesmo”. Não fiz tal coisa. Agüentei calado, por omissão, por medo, por vergonha coletiva. E foi então que depois de dias, rotinas, anos, horários e planos eu me tornei um maior inconfidente. Sou culpado, pois, não por no ter seguido aquilo que vocês esperavam, mas por eu ter-me permitido tornar-me alguém que não sou. E, o que é pior: nas sombras da mais obscura das casernas simbólicas, que é o próprio homem. Meu pecado, foi, pois, não o de conspiração, que é a honra dos descontes e cínicos transparentes. Meus pecados foram os inversos: de não ter conspirado, não ter feito, de não ter agido, de ter-me mostrado impassível diante de minha mais absoluta transformação.
Se, então, esse espaço foi pra mim aberto, digno de diálogo, de retrato, de mais absoluta transparência, eu simplesmente foi culpado de aqui não ter vindo em todo o processo de mudança. Receio dos inconfidentes é o rechaço. E nem todo rechaço é certo, o que se apresenta como bem pior o crime. E, quando calado passei por esses momentos de mudanças, quando acordo e não sou mais membro desse clã, dessa legião, desse grupo de amigos e amantes, não tenho mais nada além do justo rótulo de desviante, de outsider. Se pelo silêncio tornei-me, pela voz agora me declaro um culpado.
Por este caminho, minha culpa não é tanto uma questão de ter-me desvirtuado moralmente. Não foram, então, tão somente suas leis as quebradas. Não me redimo. Pelo contrário, que o homem é tão mais culpado quanto quebra suas próprias leis.
Acertam os que vêem nessas palavras alguma onda relativista. Sem dúvida. Meu pecado é, pois, antropológico. Sou culpado por ter tolerado minha mais absoluta desculturação. Se não podem me culpar por ter sido arrancado do meu espaço, do meu tempo, da minha rotina, dos meus sonhos; podem me culpar por negligência e traição simbólica. Podem me culpar por, em momentos de maiores violências sobre mim praticadas, não ter levantado-me, não ter gritado, não ter vindo a essa côrte e dito: “ajudem-me a eu ser eu mesmo”. Não fiz tal coisa. Agüentei calado, por omissão, por medo, por vergonha coletiva. E foi então que depois de dias, rotinas, anos, horários e planos eu me tornei um maior inconfidente. Sou culpado, pois, não por no ter seguido aquilo que vocês esperavam, mas por eu ter-me permitido tornar-me alguém que não sou. E, o que é pior: nas sombras da mais obscura das casernas simbólicas, que é o próprio homem. Meu pecado, foi, pois, não o de conspiração, que é a honra dos descontes e cínicos transparentes. Meus pecados foram os inversos: de não ter conspirado, não ter feito, de não ter agido, de ter-me mostrado impassível diante de minha mais absoluta transformação.
Se, então, esse espaço foi pra mim aberto, digno de diálogo, de retrato, de mais absoluta transparência, eu simplesmente foi culpado de aqui não ter vindo em todo o processo de mudança. Receio dos inconfidentes é o rechaço. E nem todo rechaço é certo, o que se apresenta como bem pior o crime. E, quando calado passei por esses momentos de mudanças, quando acordo e não sou mais membro desse clã, dessa legião, desse grupo de amigos e amantes, não tenho mais nada além do justo rótulo de desviante, de outsider. Se pelo silêncio tornei-me, pela voz agora me declaro um culpado.
Domingo, Agosto 23, 2009
Projeto Cidade do Cabo 2010
Como tenho muitos projetos, vai aí mais um...
O plano é mais ou menos o seguinte. Vou ser reprovado no concurso do Ministério da Justiça e do Mestrado, que estou muito burro pra isso. Vou parar de sair porque o mundo me dá preguiça. Vou juntar dinheiro e, se tudo der certo, partirei pra Cape Town. Vou esquecer a distinção entre ser e estar, alugar uma coisa qualquer e passar o máximo de tempo possível estudando inglês.
E vou voltar (?!), ingenuamente acreditando que algo muda, e que isso realmente vai ajudar a me encontrar. Senão eu não volto, fico mais uns meses e serei escalado para a seleção.
Ou então eu não consigo juntar dinheiro e darei seguimento à essa vida medíocre. Até ficar de saco cheio, colocar uma mochila nas costas e concretizar o meu velho projeto de virar hippie.
O plano é mais ou menos o seguinte. Vou ser reprovado no concurso do Ministério da Justiça e do Mestrado, que estou muito burro pra isso. Vou parar de sair porque o mundo me dá preguiça. Vou juntar dinheiro e, se tudo der certo, partirei pra Cape Town. Vou esquecer a distinção entre ser e estar, alugar uma coisa qualquer e passar o máximo de tempo possível estudando inglês.
E vou voltar (?!), ingenuamente acreditando que algo muda, e que isso realmente vai ajudar a me encontrar. Senão eu não volto, fico mais uns meses e serei escalado para a seleção.
Ou então eu não consigo juntar dinheiro e darei seguimento à essa vida medíocre. Até ficar de saco cheio, colocar uma mochila nas costas e concretizar o meu velho projeto de virar hippie.
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1 comentários
Quinta-feira, Agosto 13, 2009
P0LÔNI0: Chega, Ofélia, para aqui... Majestade, ora busquemos nosso lugar. E tu, lê neste livro; a leitura pretexto será para tua solidão. Freqüentes vezes somos passíveis de censura, pois abundam provas sobre isso, de que com bondade simulada e ações pias conseguimos tornar açucarado o próprio diabo.
O REI: (à parte): Quão verdadeiro! Como essas palavras me chicoteiam fundo a consciência! O rosto rebocado das rameiras não é mais feio, sob a artificial beleza, do que a minha ação debaixo do verniz com que a enfeitam meus discursos. Oh fardo horrível!
P0LÔNIO: Ei-lo que chega, meu senhor; saiamos.
(O Rei e Polônio saem.) (Entra Hamlet.)
O REI: (à parte): Quão verdadeiro! Como essas palavras me chicoteiam fundo a consciência! O rosto rebocado das rameiras não é mais feio, sob a artificial beleza, do que a minha ação debaixo do verniz com que a enfeitam meus discursos. Oh fardo horrível!
P0LÔNIO: Ei-lo que chega, meu senhor; saiamos.
(O Rei e Polônio saem.) (Entra Hamlet.)
HAMLET: Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se.Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do ensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem. Mas, silêncio! Aí vem vindo a bela Ofélia. Em tuas orações, ninfa, recorda-te de meus pecados.
Segunda-feira, Junho 22, 2009
Assistidos?!
Pois bem... Estarei, provavelmente durante muito tempo, com uma marca de dois ou três pontos na sobrancelha. Perto de um dos meus pontos de ônibus, tem uma pequena ribanceira, de dois a três metros. Ontem, pisei em falso e cai... Rolei. Cheguei com o "rosto" aberto em casa, e parti, pelas 24:00 horas, ao hospital mais próximo.
lá chegando, fui super mal atendido; esperei horrores; fui atendido por um médico filho da puta que não perguntou o que aconteceu; não falou quanto tempo fico com os pontos; nao passou analgésico nem antibiótico; não tirou chapa da minha bacia (estou com um dor relativamente boa...) nem da cabeça; questionei o atendimento estúpido do médico e fui agredido pelo guarda municipal; depois fui destratado pelo atendente.
Pra piorar, vi agora pela manhã que perdi meu celular na queda. Puta que pariu.
Hoje não vou trabalhar, vou ver como está minha situação na Unimed e vou elaborar uma denúncia do atendimento do hospital.
É triste pagarmos tantos impostos, recebermos um atendimento como se fosse favor e estarmos super mal assistidos...
lá chegando, fui super mal atendido; esperei horrores; fui atendido por um médico filho da puta que não perguntou o que aconteceu; não falou quanto tempo fico com os pontos; nao passou analgésico nem antibiótico; não tirou chapa da minha bacia (estou com um dor relativamente boa...) nem da cabeça; questionei o atendimento estúpido do médico e fui agredido pelo guarda municipal; depois fui destratado pelo atendente.
Pra piorar, vi agora pela manhã que perdi meu celular na queda. Puta que pariu.
Hoje não vou trabalhar, vou ver como está minha situação na Unimed e vou elaborar uma denúncia do atendimento do hospital.
É triste pagarmos tantos impostos, recebermos um atendimento como se fosse favor e estarmos super mal assistidos...
Sábado, Maio 30, 2009
Como seria?
Queria escrever coisas bem escatológicas. Falar de cú, porra, cadáveres, passado, amor, trabalho, profissão, padrão.
Mas não dou conta de falar isso. Sou um púdico da porra.
Estava lendo outro dia o poetinha: A hora íntima. "Quem pagará o enterro e as flores // Se eu morrer de amores?"
Pensava, durante o banho. Como seria?
Morreria no carro, numa tentativa de assalto, ao reagir no sequestro da menina? Levaria um tiro, provocaria uma indignação da violência durante quanto tempo?
Ou morreria de um câncer qualquer? Tal como o pai. Um câncer do resultado de uma vida desregrada, uma vontade de respirar, um cigarro sempre aceso, uma vontade do aproveitar. Uma vida que duraria um tempo de dois tragos. Uns quarenta ou cinquenta anos. Um "Ele buscou isso"...
Morreria num roupante, num desespero por uma empresa falida, os sessenta, sei lá... Um tentativa de vôo de uma cobertura alto luxo, em algum bairro limpo e importante, de alguma grande cidade? Uma matéria inexplicada num jornal, ou o silêncio moderado. Suicídios nao se publicam.
Ou morreria de uma doença simples e brutal, os 30? Num país africano, asiático... Uma vontade de conhecer o desconhecido. Uma viagem. Uma cólera, uma cobra? Há quantos km do consulado? Quantos meses ou semanas de falta de notícias? Quantos e-mails não respondidos?
E como seria? "Quem pagara o enterro e as flores // Se eu morrer de amores? // Quem, dentre os amigos, tão amigo // Para estar no caixão comigo?"
Mas não dou conta de falar isso. Sou um púdico da porra.
Estava lendo outro dia o poetinha: A hora íntima. "Quem pagará o enterro e as flores // Se eu morrer de amores?"
Pensava, durante o banho. Como seria?
Morreria no carro, numa tentativa de assalto, ao reagir no sequestro da menina? Levaria um tiro, provocaria uma indignação da violência durante quanto tempo?
Ou morreria de um câncer qualquer? Tal como o pai. Um câncer do resultado de uma vida desregrada, uma vontade de respirar, um cigarro sempre aceso, uma vontade do aproveitar. Uma vida que duraria um tempo de dois tragos. Uns quarenta ou cinquenta anos. Um "Ele buscou isso"...
Morreria num roupante, num desespero por uma empresa falida, os sessenta, sei lá... Um tentativa de vôo de uma cobertura alto luxo, em algum bairro limpo e importante, de alguma grande cidade? Uma matéria inexplicada num jornal, ou o silêncio moderado. Suicídios nao se publicam.
Ou morreria de uma doença simples e brutal, os 30? Num país africano, asiático... Uma vontade de conhecer o desconhecido. Uma viagem. Uma cólera, uma cobra? Há quantos km do consulado? Quantos meses ou semanas de falta de notícias? Quantos e-mails não respondidos?
E como seria? "Quem pagara o enterro e as flores // Se eu morrer de amores? // Quem, dentre os amigos, tão amigo // Para estar no caixão comigo?"
Terça-feira, Maio 26, 2009
Carta de Emilie Sauvignon
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