terça-feira, junho 20, 2006

Vontade política 1


Um diálogo em uma aula quase formada com um professor bastante citado:

(Depois de uma análise sobre poluição hídrica e sobre a necessidade de tratar a agua e os rios...)

Professor - Então, gente, porque se polui tanto a água, os rios?
Período de silêncio característico nestas circunstâncias...

Aluna - Os políticos, quando não são donos de empresas despoluidoras de rios, são amigos de donos de empresas que despoluem. São, então, beneficiados com a poluição e, posteriormente, com a despoluição... Além disso, despoluir água não dá voto!

Professor - Sim, é claro que tem essa circunstância de corrupção e oportunismos entre os representantes. Mas temos de pensar em uma outra causa, a falta de vontade política. Não há vontade política. É esse o problema!

Vontade Política - 2

Fiquei impressionado pelo diálogo acima. É claro que ele não aconteceu daquela maneira organizada, com virgulas, tal como um romance. Mas o conteúdo foi aquele. E foi justamente o conteúdo que me impressionou. Existem alguns sensos-comuns dentro da academia [não na de ginástica, ou melhor, nessa também] que me causam náuseas. Um destes é o tal da "vontade política - V.P", parece que com vontade política se resolve tudo.
No caso do diálogo, a V.P está associada ao fato dos políticos serem oportunistas corruptos e/ou de escolherem aquilo que dá mais voto.
Então, voltando à V.P, é como se os representante tivessem sobre uma mesa as opções de políticas a serem postas em prática. Dai, com um calculo racional de quantos votos eles ganhariam com as respectivas opções, lhes afetaria uma vontade de por em prática uma política ou não.
É como se numa dada sociedade não houvesse várias divergências sobre o que deve ser feito. Como se os próprios técnicos que formulam políticas tivessem um consenso sobre o que deve ser feito. Como se a própria ciência fosse absoluta, plenamente calculável e impressionantemente translúcida. Como se os próprios eleitores tivessem uma visão clara sobre um "punhado de coisas" e esta visão fosse facilmente captada pelos representados. Como se os jornalistas concordassem sempre com aquilo que deve ir a público. Como se os políticos estivessem às suas mãos plenos poderes de optarem por políticas que bem lhes dessem à telha. Como se dinheiro para políticas desse em árvores.
Mas simplesmente não fazem nada. Simplesmente por isso. Por falta de vontade política.
É claro que não desconsidero o fato de existirem políticos corruptos, oportunistas; não desconsidero que os políticos, como as demais pessoas, fazemos opções calculadas, racionalizadas. Claro que sim.
Mas restringir as coisas da vida à falta de vontade, mesmo que à política, é muito pra mim...

quinta-feira, junho 08, 2006

E há muita vida fora da ciência...

Sobre o desconhecimento tácito da vida, ou melhor, na vida, é mais ou menos assim: por mais que alguns podemos querer saber, há sempre algumas coisas que passam despercebida, coisas que não são ditas, ou se são, passam como se fossem outra coisa.
O que deve ser questionado é a atitude. nos quedamos a uma contemplação do insondável ou tentamos compreender algo?
Por forma de vida, prezo pela segunda opção. Mas é difícil, de tempos em tempos me defronto com as mais profundas certezas...
Mas o que poderia fazer, eu que me empenho na vida acadêmica?
Penso, então, num seguindo axioma:
A vida é um desconhecimento tácito;
e a ciência, um desconhecimento explícito.

quarta-feira, junho 07, 2006

Um Axioma

A vida é um desconhecimento tácito.

terça-feira, junho 06, 2006

Sexo. Primeiro ato...

“Duas meninas”. Uma de 16, que é a personagem importante aqui, e uma outra de não sei que idade. As duas em férias na praia. A personagem estava a usufruir de sua plena liberdade, transando com quem bem entendia na casa em que as duas estavam, sozinhas.
A de 16, há algum tempo que estava na praia, já estava sem dinheiro, ou é isso que se alega. Então porque não pensar: “já que estou transando com ‘estes meninos’ de graça, porque não cobrar?”.
E passou a cobrar. É claro que o oral era mais barato, mas ‘os meninos’ logo cediam diante de uma outra opção.
A menina terminou as férias transando com quem queria, algumas vezes duas transas por dia. E juntou um bom dinheiro.

Sexo. Ato número dois...

Se fosse para eu indicar uma trilha sonora para a história baseada em fatos reais acima, eu indicaria, provavelmente, algo como “o melhor do carnaval 2006”, aquela trilha com a melhor do funk e o pior do Axé...., se é que você me entendem... Se não, é o seguinte: ao contrário do funk, o Axé nem sempre prima pela fulgaridade. O funk não, ele prima pela vulgarização do sexo. Tendo como base pelo menos esse funk-pop, para quase inventar um conceito. Esse funk que escutamos nos grandes meios de comunicação de massa.
Não que eu seja necessariamente contra a venda do sexo. Isso eu digo no sentido de não acreditar que suas mulheres (ou homens, não esqueçamos os michês) são “de vida fácil”. Não posso simplesmente achar que os profissionais do sexo são de “pouca vergonha”, de muita opção outra, ou de qualquer falta absoluta de moral, etc.
A questão aqui é outra. É uma cultura de coisificação, que vai muito além das prostitutas de praças e muito aquém das conversas de “pessoas muito mais ilustres”. A cultura de “pegou quantas?”. A cultura da frase de dois amigos meus: “- o sexo pago é o sexo mais barato que existe!”. Sim, é o mais barato se você reduzir um relacionamento sexual a isso, ao gozo, ao orgasmo, à satisfação do desejo e pronto; reduzir os presentes aos namorados, namoradas, companheiros, companheiras, cônjuges e mesmo aqueles parceiros sem tanto compromisso em simples meios ao coito. Transformá-los todos em objetos de satisfação sexual....
E não que eu ache que o sexo só seja possível, necessário, ou desejável de ser praticado sempre com pessoas com quem nos comprometemos e temos um relacionamento. Acho que podemos transar com uma pessoa na noite que a conhecemos e quem sabem nunca mais...!
Entendem? A questão de crítica é aquela de olhar à outra pessoa como um órgão sexual. A coisificação da outra pessoa, o sexo utilitarista, o órgão do outro como um utilitário. O sexo que tenta ignorar a pele, o cheiro, o hálito, o percurso e fixa-se no fim, no gozo, na quantidade. Na pergunta: “E ai, comeu?”.
É a alienação da pessoa que permite o fim da sua liberdade e de sua concepção como pessoa, como indivíduo. É essa coisificação que permite o machismo, a vulgarização, a traição, o destrato, a falta de respeito. Afinal de contas, o outro pode ser simplesmente um órgão sexual, um objeto de trabalho.
O que me impressiona é o adotar da postura pelas mulheres. Como a “menina” de 16, que considerando-se uma coisa, ou seu sexo como uma coisa, se vende. Mas o limite do prazer para a coisificação quem sabe já tinha sido passado. Ou não. Mas sei lá. Deixa a menina, né?! A vida é dela.
E, afinal de contas, se ela já estava dando daquele jeito sem cobrar, porque não cobrar?
Eu não cobraria pelo desejo de não transformar-me em uma coisa. Um objeto. Afinal de contas, embora as piadas de homens o digam, não sou somente um pênis. Mas sou um homem. Ou justamente por não ser somente um pênis, posso dizer que sou isso, um homem.

quinta-feira, junho 01, 2006

Enfim

Enfim aprendi a colocar os links. E mais: sozinho! Tive até uma certa vergonha.
Afinal de contas, preguiça mental é uma coisa horrenda!!
Um abraço a todos que torciam por mim!

quinta-feira, maio 25, 2006

Grandes cidades, veredas

Mamae chegou de viajem. Muito embora não tenha ficado com muitas saudades - ainda estava aproveitando a tranqüilidade de casa- foi bom. ela me lembrou que tinha maçãs na geladeira e evitou que seu filhinho saísse de barriga vazia à aula...
Antes de pegar o ônibus, fui ao laboratório pegar um exame feito a duas semanas. Fiquei meio decepcionado. Estava esperando taxas enormes de hormônio masculino, dado que sou macho pra caralho. Mas não, estava na média - pelo menos segundo aqueles valores recomendados que vem no exame. é bom existir esta faixa no exame, assim posso especular, enquanto não vou ao médico, (1) se sou menos macho do que penso; (2) se penso mais do que sou macho; ou (3) se o problemas estão relacionado a uma falta de diálogo entre meu ego e minhas glândulas.
Chegando ao ponto de ônibus, perdi o primeiro, que estava completamente vazio. Pude vê-lo quase como dando um "tchau". Peguei um outro que, logo depois de eu conseguir sentar, quebrou.
Quando quase chegando à faculdade, escutei um homem, de meia idade, repetindo uma frase semi-incompreensível. As únicas palavras compreendidas foram "grande sertão veredas". Fiquei, inclusive, pensando no livro clássico, fundamental a qualquer intelectual que se preze e que, a propósito, não li. Vi, logo no atravessar da rua, um morador de rua vomitando um líquido verde, de cor estranha e denotando uma situação tão nojenta que não pude parar de olhar.
(lembrei, na hora, da época em que tomava vinho vagabundo todas as sextas e sábados e que ainda pensava em fazer direito e andar de Armani, já hoje abandonei a idéia de fazer direito... Já com relação ao Armani, quem sabe...)
Estive pensando, depois, que hoje existiria muito menos veredas; como se as coisas estivessem muito mais explicitas e os caminhos, muito mais determinados. Como se poucas coisas se escondessem aos nossos olhos e como se o mundo não fosse muito mais do que algo patente.
Fiquei nesse pensamento até quase ser atropelado em uma rua de mão dupla. Não sabia que aquela rua do centro era de mão dupla embora já a tenha atravessado dezenas de vezes. Tenho dificuldade de atravessar ruas de mãos duplas, já que dificilmente olho para os dois lados.

terça-feira, maio 16, 2006

Mensagem de Natal

Assisti hoje a um filme: A Felicidade Não Se Compra, 1946, Frank Capra (It's a Wonderful Life). Ao terminar o filme, lembrei-me de outro: Um homem de família, 2000, Brett Ratner (Family Man). Este último com a interpretação do Nicolas Cage.
não que fossem filmes parecidos em mensagem, ao contrário, têm valores completamente distintos, mas se passam com o mesmo fundo de roteiro: natal, os personagens "vislumbram" como o "mundo" poderia ter sido diferente se tivessem tomado atitudes outras.

No primeiro, a história é de um filho de banqueiro, George Bailey (James Stewart), cheio de vontades de sair de sua cidadezinha norte americana. E sem conseguir, já que sempre tenta ajudar os outros e acaba "se anulando". Uma imagem de solidariedade e de pouco individualismo. No final, o personagem percebe que é feliz com sua vida normal, vários filhos e uma esposa, percebendo que o melhor é ter amigos e uma família, o que foi, inclusive, a mensagem de seu anjo da guarda, que o fez não suicidar-se em um momento de dificuldades, no natal.
no caso de Nicolas Cage, é o contrário. ele, um grande executivo feliz com sua Ferrari e com sua vida de trabalhar no natal, acaba por visualizar como sua vida seria acaso ele tivesse permanecido com sua antiga namorada e desistido de investir em sua vida profissional. no final do filme, ele acabou por ficar com sua antiga namorada, sem filhos, ambos muito bem profissionalmente, obrigado.
enquanto que para o filme de 1946 o personagem viu que sua vida sem grandes fortunas foi uma vida boa; no filme de 2000, o personagem não ficou infeliz por ter investido em sua carreira, mesmo porque também o vez sua antiga namorada.
o ponto dos dois filmes norte americanos é o inverso embora partido do mesmo ponto. o ponto de partida é a "reflexão natalina" de um suburbano solidário e de um executivo individualista de Manhattan. o ponto de chegada é a vitória da solidariedade suburbana e da família liberal no primeiro e a vitória do investimento na carreira e do individualismo norte americano, no segundo.
O interessante é quando se pensa nos valores transmitidos pelo cinema. No primeiro filme a solidariedade, a família, os amigos e a vida ordinária (no sentido de normal, de comum) dão o tom de como deveria ser a vida de um americano de sucesso. No segundo, a competitividade profissional, o individualismo e a Ferrari conferem o carácter de sucesso ao personagem principal que, de quebra, ainda pegou a personagem interpretada pela belíssima Téa Leoni, e sem ter de aturar crianças.
E nessa de ser solidário ou ser individualista ambos os personagens transmitiram a mensagem de natalina.

terça-feira, maio 09, 2006

A decadência de uma grande estrela

Fique impressionado hoje. E foi um susto repetido. Estava, logo cedo, a ver Xuxa e pude, drasticamente e subitamente, visualizar a decadência de uma “grande estrela”.
E foi um déjà vu. No carnaval mesmo, ao ver o Carnaval da Band, pude verificar a Xuxa e a Xaxa (ta bom, Sasha...) em cima de um trio elétrico e a mamãe a cantar junto à Ivete Sangalo. E a cantar suas próprias músicas, Xuxa demonstrava o tanto que perdeu, ao longo dos anos, sua capacidade como cantora. A Rainha dos Baixinhos não conseguia afinar uma frase! Para quem me conhece sabe o absurdo; mas até eu seria capaz de, com um pouco de treino, cantar melhor que a minha rainha! (sim, minha rainha. Afinal de contas, sou um “1.6m”...)
Então veio o déjà vu: vi um quadro em que a Xuxa e sua filha entrevistavam uma atriz. Fiquei estarrecido. Não sabia que, além de ter perdido a capacidade de canto, tinha Xuxa empobrecido. Que triste isso! Minha mãe já passou por isso, ter que levar-me ao trabalho por não ter com quem deixar-me e não ter dinheiro para matricular-me em uma escolinha. Acho que, pelo menos, a Globo deveria criar um berçário e uma escolinha para que seus funcionários tivessem onde deixar seus filhos.
Rolava até de criar uma daquelas correntes para ajudar a Rainha a ter onde deixar a Xaxa...

segunda-feira, maio 08, 2006

Cuba em 80 minutos

Assinti ao Suíte Havana [2003]. Bom filme onde 10 "personagens reais" tem um dia típico de suas vidas retratado em um documentário de 1 hora e 20 minutos - sem diálogos. O som do filme é o de colagens de sons do cotidiano, o som de carros, de máquinas da fábrica de perfume onde uma personagem trabalha, o som do hospital, o som da escola; esses sons formando música. Além dessa "Música Cotidiana", temos uma trilha sonora realmente bacana. Em suma: um filme emocionante.
Logo depois do filme eu entrei em sites de cinema, e alguns deles tinham comentários sobre "Suíte H.", comentários no mais das vezes analisando o regime cubano. Aquele velho esquema de defesa e ataque. Alguns falando do "sofrimento do povo cubano", "imerso na miséria"; outros falando do "acesso à cultura e do embargo norte americano causador das mazelas em Cuba".
E isso é engraçado. Não, não as mazelas de cuba, mas a capacidade de fazer generalização de Havana para toda Cuba através de um documentário de 80 minutos, e sem diálogos. E as análises de cuba formavam verdadeiros debates entre uns que defendiam e outros que acusavam "cuba, Fidel e o socialismo", parece que esquecidos de comentar mais especificamente do filme, do roteiro, da fotografia e do diretor, Fernando Pérez.

sexta-feira, maio 05, 2006

...

Por vezes dá-me uma vontade de chorar que nem sei bem. Quase sempre por quase nada, aquele quase de não conseguir relaxar. Nada de se deixar levar. E essa impotência, essa incapacidade, esse não sei bem o que... todos sentimentos contraditórios, vontade de fugir. E essa vontade vem de não querer falar, não querer ser um chato, não querer dizer “não sei”, “não estou certo”. A contradição entre aquilo que nos ensina o mundo dicotômico do bem e do mal, do amor e da paixão e aquilo que é a mais absoluta verdade e, simplesmente, existe. O número 3.
Falando em número, é uma esperança que todo essa insegurança seja somente Inferno Astral adiantado algumas poucas 3 semanas.

quinta-feira, abril 06, 2006

Moedinhas

" (...) não se ama mais ou menos, se ama em condições diferentes."
Não sei, isso me parece muito relativismo. Isso não resultaria em "amo todos", já que não se pode quantificar...? É claro que o amor aos parentes é diferente ao amor aos amigos, ou ao chocolate. Mas amo mais um amigo (específico) ao outro, mais ao chocolate Doce Cacau que aqueles em formato de moedinhas... (sim, eles ainda existem)
Não acho... creio de fato que os amores são diferentes não só qualitativamente, mas também, possivelmente, quantitativamente. De fato creio que seja possível amar duas pessoas, uma tanto quanto a outra, quantitativamente amadas. Mas não quando quanto a outra, não da mesma maneira, não qualitativamente iguais....
O amor qualitativamente diferente é um fato, mas o quantitativamente nem sempre. E é importante frisar que o “nem sempre” deixa uma margem grande de incerteza... Posso amar uma pessoa tanto quanto a outra, mas ainda posso amar uma pessoa muito menos que a outra, ou pouco menos, ou quase, quase, quase, quase tanto.

terça-feira, abril 04, 2006

Sem interrogações

É como que uma obrigação de algo dizer. Como no incomodo do silencio, onde mesmo que nao seja uma situação indomoda, anda resta a dúvida se o silencio é por nao ter o que dizer ou o de muito já ter dito. E isso faz toda diferença.
E então fico, na obrigação de dizer. Talves um "eu te amo", ou "eu te amei", "prometo que te amarei", "te amarei eternamente". E ter certeza de ser esta mais absoluta mentira. O eternamente...
(Aliás, por uma questão lógica: como o "te amarei eternamente" pode ser a mais absoluta mentira(interrogação). A mentiria mais absoluta não seria a mentira perfeita, repleta, eterna(interrogação). Entao mesmo o meu amor eterno pode ter alguma esperança... não, isto nao é retórica! Pelo menos não o é de modo tão fazio... A promessa, ou certeza, ou sentimento de amor eterno é tão leviano quanto o de amor absolutamente passageiro; não se pode ter certeza, e pela incerteza reinante, pode-se agarrar tanto em um quanto em outro. Ou, de uma maneira inversa, poderia dizer, agarrando-me em alguma forma de vida oriental, que, sendo as duas formas levianas, o importante é o meio termo. Mas isso já é outra história)
Mas podeira dizer qualquer coisa. quem sabe sobre a converça das outras pessoas, teorizar sobre o BBB, falar sobre o presidente, sobre o PT, sobre a carencia de líderes, sobre a vontade de "tirar autas e parar de brincar"... E todo isso para não ficar calado, para ter o que dizer, para não se sentir um chato, um desinformado, um medíocre.
Tudo isso para ter algo de interessante pra dizer, assim como outras pessoas. Só para sentir-me menos vulnerável do que eu mesmo...
ps. 1: devido a restrições orçamentárias, faltam acentos no texto, alem do sinal de interrogação. Entenderam(interrogação)
ps. 2: Durante a elaboração do texto, deu-me uma vontade louca de cometer um assassinato à língua. cometo então: cilencio. que sonora esta palavra com o "c".... e sem acento....

sexta-feira, março 31, 2006

Hoje

Hoje ela veio. E me deixou tao feliz...!!! Sim, bem sei que nao temos nada, e é exatamente por isso. Por ela ter vindo, sem ter a mínima obrigação...
Alguns amigos meus, depois de receberem um favor , dizem que "não precisava", ou antes, "não precisa". Mal percebem que muitas vezes é justamente porque não precisa. Nao preciso levar amigas minhas ao ponto de onibus, mas levo. Pelo mais puro prazer, como seu eu agradecesse pela companhia.
E minha alegria foi justamente pelo tanto que foi expontâneo. E eu me senti como um bobo. Tão pouco e tão pouco prestando atençao necessariamente no diálogo, mas mais precisamente na preciosa honra, na preciosa companhia. E rindo, como que agradece: "obrigado por me permitir sua companhia"...

terça-feira, março 21, 2006

Novo Pleonasmo

Já faz algum tempo que nao escrevo mais um e-mail, não. E ai, como vai você? Nao, não é mais um e-mail de discussão de relacionamento, só um e-mail introdutório. Introdutório à nova novidade e ao pleonasmo, como você pode ter percebido!! O novo pleonasmo é que você é linda e que eu adoro seus beijos "meio do caminho". Sim, embora você os tenha inventado, o registro agora é meu. É um daqueles seus beijos em que nao se usa a lingua nem os lábio de modo seco. é um beijo molhado e não tão rápido. Nao é daqueles beijos que se dá e se volta ao olhar outra direção; nem daqueles que faria, há poucas decadas, uma mão zelosa - e moralista, digo de passagem - tampar os olhos do filho pequeno. Entao, é este o beijo "meio do caminho", que me agrada tanto. E posso dizer que gosto tanto de você, do modo como come. Acho que quando voce almoça, você se mostra com um charme impressionante. Uma elegância..!
E te gosto de tantas maneiras. Gosto de você rindo. afinal de contas, o riso é o maximo.
E gosto de você se revoltando com as coisas e falando mal do sistema, da rotação da terra, daquele ao qual nao direi o nome, do governo, do trânsito, da ética - ou falta de ética - humana. sim adoro quando você abandona uma austeridade, uma seriedade britânica. Fica revoltada e, como quem lembra da compustura de só quem vê a família caçar patos nas Planices Baixas da Escocia pode conhecer, pára de falar e subtamente rí um sorriso ou uma gargalhada, olha pra mim e faz-me sentir o homem mais amado, mais amado, mais amado do mundo.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Tijolo chegando

Tenho um grande costume de escutar musicas pelo portal Terra, na parte das Letras. No momento escuto uma grande música. Ou melhor, a melhor música brasileira. Sei bem que é radicalismo falar do melhor. O melhor livro, o melhor disco, a melhor comida, a melhor namorada. O melhor, de modo simples e objetivo, não existe. O melhor nao pode ser puressimplesmente o melhor. Até o melhor é relativo.
No entanto escuto, agora, a melhor musica. Aguas de Março. Sim, é a melhor, a mais completa, mais redonda, mais brilhante música já feita, mais...
...
Tive de parar um pouco para "dar play" pela quarta vez, na quarta versão escutada direto, sem parar. Mas acho que vocês entenderam o tanto que gosto da música.
É "a musica da vida", "dos prós e dos contras", da prata brilhando, do tijolo chegando. O tijolo chegando é o maximo. Imagina, é a vida. Vocc está num vim de verão, toda aquela chuva e entregam o tijolo. Onde por aquilo, que confusão... Esta música, até onde sei, foi meio que iniciada a partir do sítio do Tom, que passava por uma reforma, toda aquela confusão e tal... e no final de tanto tempo, tanto tijolo, tanta chuva, tanto prego, tanto carro enguiçado, a reforma fica pronta! O verão se fecha e a vida continua, bela, adorável, para o proximo verão... e ela, a vida, seguindo, nao deixa de ser o maximo pelo corte no pé, pela febre terçã, pelo rosto desgosto, pelo pouco que todos nos ficamos, pelo menos de tempos em tempos, sozinhos. Talvez seja justamente pela intermitência, pela confusão do tijolo.
É o maximo esta musica... imagina: uma cobra, um pau; é a garrafa de cana, o estilhaço na estrada; é o carro enguiçado, é a lama, é a lama. Imagina o carro enguiçado no meio de uma estrada indo para um sítio no fim de um verão, toda aquela chuva. Puta que pariu, que situação irritante e engraçada! O povo descendo para empurrar, e a lama, e a lama. Ou então toda a tranquilidade de um sítio, e o tijolo chegando, aquala confusão, onde por a merda do tijolo. Absolutamente varavilhosa, a confusão....
(oitava versão da musica, tocada direto...)
(repetindo uma das versões) É uma ave no céu, é uma ave no chão. Tem coisa mais bonita que isso, mesmo que antes exista uma pedra de atiradeia? É o maximo esta musica, o canto da vida, do espinho na mão, do corte no pé. Puta que pariu, sempre me emociono com esta música como se fosse a primeira vez que escutasse.
E já é a décima segunda vez... direto e só hoje! e a chuva só chuvendo...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Sorvete em preto e branco

Um sonho. E nele, depois de misturar a mini-série Lost, transmitida depois do jornal da Globo, com um filme nacional de 1900 e bolinhas de isopor, estava discutindo com um conhecido que me contava suas experiências com o uso de todo o tipo de drogas. No sonho, em determinado momento, ele disse:
Como isso aconteceu? Como iniciou? Como perdi tudo? O inicio foi um dia em que fui ao Bluemontain tomar um sorvete. E me perdi lá dentro. Tomei vários sorvetes, um mais magnífico que o outro. Até que me vi praticamente sozinho, extasiado de sorvetes. E sem dinheiro. Para pagar a conta, pedi dinheiro a uma amiga. E até hoje não sei se realmente acertei minha dívida com ela. E a parti daí me perdi. O danado é um modo de dosar o sorvete.

Embora não tenha, em nenhum momento do sonho, visto um sorvete. Até sonhar sonhos de palavra ‘sorvete’ é muito frustrante quando o sonho se passa, em todo o momento, em preto e branco.
Fica ai para a análise.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Isto era pra ser um resumo

Isso era pra ser um resumo. mas como sou MUITO prolixo, ultrapassou muito o numero de caracteres. fica ai o resumão, enquanto nao escrevo um resumo do resumo...
Na verdade uma ressalva é importante: os textos aqui "postados" só devem ser lidos por aqueles sem receios de tentar me entender um pouco mais profundamente ou sem receios de escutarem desabafos nem sempre agradáveis. E, no entanto, não devem esperar as revelações e verdades. Muitos textos destes só podem ser entendidos pelo texto ainda não escrito. Textos posteriores já que são todos, os textos, um processo. Muitos são os que foram escritos ontem, anteontem. a semanas. Sao, com isso, não necessariamente o modo como me sinto, mas como me senti, ou como me sinto que me sentia. Dai a confusão neste blog. A própria confusão de seu autor. É necessario uma atenção dos leitores para que não tirem conclusões precipitadas.
De qualquer modo, é um espaço onde as pessoas têm acesso aos sentimentos que nao são expostos no cotidiano, ou são por este mais ou menos velados.
Os.: os textos podem ser, também, somente textos. Nada mais.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Belo Presente

Estava na casa de um amigo hoje. Precisava respirar e resolvi tirar dinheiro no banco 24 horas. Depois de uma caminhada no fim de tarde, inicio de noite, resolvi comprar sorvete. Acabei fazendo mais: prestando uma homenagem silenciosa pra duas ex-namoradas.
Explico: todas as mulheres gostam de sorvete. E gostam, o que "reflete" mesmo suas características mais profundas, dos sabores mais diferentes. Eu, de limão. Elas, de flocos e creme. Como só queria duas bolas, fiz da seguinte maneira. Uma de flocos, uma de creme, a cobertura de limão; tudo em uma grande casquina de dar inveja aos seres com mais profunda característica infantil.
E assim, com o sabor das mulheres que amei, ao meu modo azedo de ser, segui uma longa rua de belo horizonte nao como uma criança que saboreia um sorvete, mas como alguem que saboreia e bem-diz ao passado, reconhecendo neste o presente dado!!!