domingo, dezembro 31, 2006

Révillon de Pierrot


O Reveillon é como um carnaval de um dia. Carnaval de máscaras, eu diria. Em que todos gostariam de mudanças. De trocar a mascara e se tornar o novo. Promessas de ano novo e mascaras de carnaval.
Trocar a mascara como quem troca de ano, muda de roupa, começa uma dieta, começa a correr, promete ser mais gentil, promete ganhar dinheiro, promete manter as agendas em dia e ligar aos amigos. Isto é ano novo.
Ano novo é intenção. Tenho a intenção do que? Terminar a monografia quanto antes, tirar a cidadania portuguesa, estudar pro mestrado, ganhar dinheiro e, no final do próximo ano, ter perspectivas de que o ano novo será melhor.
Porque hoje, às portas de um novo ano, acredito que não haverá muitas mudanças. Porque a vida não se interrompe ou modifica de modo pré-datado, ao 31 de Dezembro. E embora mudemos de máscaras diariamente, sempre o fazemos no Capricho da Fortuna. E sempre com muito menos controle e consciência do que quem põe a máscara do Pierrot.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Sorriso de Pérola.


Lembrei-me de um filme e, posteriormente de seu quadro. "Moça com um brinco de pérolas". Quadro clássico baseando um filme. Seriam coisas interessantes e belas, quadros iluminando a criação de um filme. A imagem iluminando a imagem.
Me impressiono muito com a imagem. Sou muito do que meus colegas de curso chamam, pejorativamente, atacando o "pessoal da comunicação", de uma pessoa afetada pelo 'universo da imagem'. gosto da imagem. Da imagem que ilumina.
Ela me iluminou, de fato. Minha garota, já a muito tempo, com o que eu chamaria hoje de "Moça com sorriso de pérola". O sorriso aberto, largo, branco. E as gargalhadas e um daqueles olhares. Sim aqueles olhares.
São dos olhares e dos sorrisos, de fato, que milha libido é feita. E de outras coisas, que ninguem é de ferro. Coisas como... a inteligência. São esses os meus afrodisíacos. O sorriso de pérola, os olhos abertos e um cérebro maior do que o meu.
Se soubesse desenhar, ou pintar, faria um quadro da Moça Com Um Sorriso de Pérolas. E seu sorriso seria tão largo e envolvente quanto a lembrança do primeiro sorriso de minha querida...
ps. 1: Eu diria que o quadro ficaria tão bonito que conseguiria vender meus direitos autorais para uma propaganda de dentefrício. Mas isso acabaria com todo o romantismo da postagem...
E isso seria imperdoável.
Ps.: O quadro dos brincos é de Johannes Vermeer.

quarta-feira, novembro 29, 2006

O Sentimento


O Sentimento? O sentimento é uma matilha de cães que quase pensam serem gatos e são liderados por um chimpanzé que pensa ser gorila...
Impossível qualquer controle. A confusão reina.

sábado, novembro 25, 2006

entre, de modo indefinido

...diria que o presente deles foi lindo. E que foi a maneira como muitos sonhariam. Os dois, inexperientes, vinho, massa, andar pela casa nús, conversar, perceber que o sexo nao é simples quanto os filmes mostram... Ela, novinha, ele, "já passando da hora de se tornar um homem".
Foi uma descoberta, de fato. E, durante a vida dos dois, seguramente escutaram e escutarão olhares e vozes surprendidas.
Da surpresa de um casal que descobriu o amor juntos.
E, dessa descoberta, souberam e saberão do conceito de presente:
O período de maior ou menor duração, compreendido entre o passado e o futuro.
Porque o amor, e descobriram juntos, é sempre um presente. Separa, sempre, o passado e o futuro de modo dificil de perceber. Como uma gradação de cores tristes e alegres, onde não se sabe quando terminaram as cores frias e começaram as quentes.
Afinal de contas, a toda foto escaba um momento, um segundo anterior e o posterior. E a lembrança é tão frágil quanto o próprio amor. E semi-imortal.
Sempre resta, do presente passado, um pouco de vermelho e violeta, e verde e amarelo...

sábado, novembro 18, 2006

Romance de Boa-fé

A sinceridade primeira.
No topo de uma escola.
No topo do sexualismo.
Não podem malograr.

[Amadeus]

Não se anime tanto, menina. Te direi a verdade, antes, de fato, que seja tarde. Sim, sou um namorado bacana. Sou lindo e atencioso ao ponto de que, mesmo quando não mandando flores, é como se sempre as recebesse. Sou verdadeiro, leal, romântico, feliz e choro de felicidade constantemente. Olharei em seus olhos, entrarei em sua alma, gostarei de seus fazeres e te deixarei dormir como uma estátua de mármore, não porque fria, mas por demais bela. Te adornarei diariamente e escreverei muitos e-mails, mandarei muitos poemas, pensarei muito e redigirei muitas e muitas cartas, muitas delas não mandadas.
Mas ai, minha futura Linda...
Abandonarei, enfim, que pouco é para sempre. E, aviso, sou um péssimo es-namorado. Olharei pelos corredores, num querer ser e não ser amigo. Sentirei saudades. E nunca, nunca desaparecerei. Nunca deixarei de te amar. Nunca de deixarei só. Viverei em seu encalço.
E você, em volúpia de liberdade, sofrerá, enfim...
Ou sofrerei eu, repito, que muito do amor meu é pra sempre.
E seus olhos, por mim, quase que não mais brilharão.
E ficarei como que sem parte de meu próprio corpo.

quarta-feira, novembro 15, 2006

... a própria vida? Singela e arrebatadora.


O cordel do fogo encantado é o melhor grupo que apareceu na música brasileira nos últimos 10 anos. Tão lindo que nem pude resistir a por essa musiquinha. Tão singela... Não seriam os olhos tão singelos quanto...

Os Oim Do Meu Amor
Ê nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
Nunca mais eu vi
Os oím dela brilhar
Nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
São dois jarrinho de flor
E todo mundo quer cheirar


Encontrei teus olhos no fundo de minha gaveta. Embrulhados em papel de seda e perfumados de Jasmim.
Junto a livros e discos queridos. E duas flores. Uma, o girassol. Outra, o cravo. Da terrinha...

terça-feira, novembro 14, 2006

Um Ferro

Um relacionamento?
É como um ferro quente. Na pele não se escapa das conseqüências. Como eu sempre digo: as coisas implicam em muitas coisas. E um relacionamento, implica em alguma queimadura.
Mas não, não seria uma marca negativa. O relacionamento queima queimaduras que são amáveis. São reconhecíveis. São viciáveis. São como marcas daquelas culturas tribais. Para os outros, nunca fazem sentidos. Para as mesmas, para os nativos, para nós mesmos, a marca que nasce no relacionamento sempre indica muito mais. Indica os rituais de iniciação anteriores, indica os desejos de mudança de classes, indica as barreiras sociais inerentes, indica a própria mudança inevitável.
Mas ainda são marcas, meninas. Que nunca, nunca se apagam. Podem ser menos patentes, mas ainda existem. Sempre existem.
O pesado mesmo é o status que as queimaduras carregam. O que as Meninas de Minha Vida pensarão de mim? Acho que sou um homem bacana.
Mas perco o sono constantemente. Sempre achando que poderia ter sido melhor. Sempre um Homem melhor.

domingo, novembro 12, 2006

Quimeras

Minhas mulheres?

Minhas mulheres são quimeras. Fantásticas. Não correspondem ao mesmo tempo, e justamente por isso se constituem-se como criação. Minhas mulheres são passado e presente. Por vezes, futuro. São ruivas e morenas, cabelos cacheados e lisos, com belos olhos verdes e castanhos. Negras. E brancas como marfim.

Por falar em marfim, minhas mulheres são uma preciosidade. E tenho, de fato, que matar-me todos os dias, como um grande elefante, para fazer jus a elas.

Minhas quimeras fantásticas são monstruosas. Matam-me e dilaceram-me. E por elas, somente por elas, VIVO.

Só correspondo a mim mesmo por conta delas. E por suas inteiras responsabilidades me esforço para tornar-me um homem melhor.

terça-feira, novembro 07, 2006

Mas Não


Gosta, mas não tanto. Dá beijos, mas não delonga. Segura as mãos, mas não cheira. Ama, mas não declara. Ouve, mas não escuta. Vê, mas não repara. Lê, mas não escreve. Fala, mas não abertamente. Cobra, mas não oferece. Dá atenção, mas não colo. Sai com amigos, mas não convida. Chora, mas não defronte. Olha, mas não aos olhos. Recebe olhares, mas não gosta.
Consistente, mas tem ciúmes.
Viaja, mas teme trajetos. Acerta, mas teme derrotas.

Tenta viver, mas tem medo.


Tenta, mas humaniza-se em demasia, em demasia.

terça-feira, outubro 31, 2006

A Fome


Era quase tarde da noite e ela estava tão chateada que foi logo logo dormir. Já seis horas sem comer nada, e realmente não estava empenhada em fazê-lo.
Ele era realmente uma coisa que a afligia. Não tanto pelo descaso, que realmente comportava-se como um namorado realmente carinhoso. Mas tanto pela falta de atenção, aquela atenção difícil de realizar, aquela atenção de quem escuta amarguras e responde, hora-sim-hora-não, alguma coisa; somente para que a outra pessoa (Ela) não se sinta falando para as paredes. É disso, de fato, que ela sente falta. Não de carinho, porque Ele de fato a ama, mas de penosa atenção, que ele de fato dispença(-se).
Do que ela sente preguiça? De um relacionamento 'modernete' somente em um sentido. Sente preguiça das pecuinhas. E sente preguiça de comer.
O que deseja? Nada além de olhares (dele) olhando-a como a um magnífico presente diário, todo dia; olhares como que diriam: "Que sorte eu tenho".
Ela foi à cama e ficou deitada, com olhos lacrimejados. Durante mais de meia hora. Tinha fome estava decidida em dormir com ela. Abraçada com a fome.
...
Reconsiderou e foi à cozinha. Tomou um copo de leite. Daqueles como "lagoinha", ou "Americano". Aqueles copos de cerveja. Tão pequenos...
E dormiu, bêbada de um pequeno copo de leite...
Quase sem fome. Que ela nunca acaba.

sábado, outubro 28, 2006

Estoques de Toreros


Malditas espadas do tempo. Fodam-se.

O Tempo e o Touro



Hoje é dia 28 e o Touro olha o vermelho. Aquele homem que ali está é como o Tempo, e é assim que o animal o olha.
O homem e o vermelho, um só e assim se comportam, dançando. E o touro persegue o Tempo.
E que o tempo passa, sabemos. E é isso que o touro persegue. Aquilo que se passou. O Touro olha o 28, e o tempo passa. O Coliseu grita: "Hole!".
O Touro só não percebe que o dia 28 repete a meses. A vida repete a meses. E, ao invés de olhar aos palhaços ou ao público, insiste em ir ao vermelho. Insiste em não perceber que, ao invés do vermelho e aquele homem, há sempre um dia 1° de Março.
Os Touros perseguimos muito o vermelho.
Mas o Tempo é um Toureador que nunca, nunca perde.

terça-feira, outubro 24, 2006

Bons Homens, aqueles Elfos...




Desde que sei da existência, sempre gostei de RPG. Espadas, história, imaginação fértil, vampiros de gerações imemoráveis, Elfos.
Sim, sobretudo os elfos. Acho que estes seres e o mundo à parte que todos temos (tenho) representam a necessidade do que é singelo, sem contudo ser moral, moralizante.
O mundo, acredito, perdeu o fio meada do que é singelo. Uma colher, por exemplo, de 50 anos atrás, uma cadeira; o abandono do utilitarismo que me mata hoje.
O mundo não é 'util', e continua a ser bonito.
E o Elfo, com sua delicadeza de cortar cabeças, sua graça. A Graciosidade.
O homem, e digo no gênero específico, perdeu a graça e continua querendo cortar cabeças. Embora eu não ache que a vida tenha um valor inerente , ainda acho triste um palavrão gratuito, um lugar não sedido à uma velhinha, um papel pelo vidro do ônibus. Isso é muito pior, as pequenas faltas de delicadeza.
Um elfo não faria isso. Não atacaria pelas costas, nao coçaria o saco em público, não contaria vantágem com a traição à Elfa. E o elfo adoraria uma colher com detalhes bonitos durante todo um dia. Como uma pequena joia. E pegaria seu arco ou sua espada para matar hordas de orcs, ou mesmo outros elfos, já que sempre temos inimigos que nao são tão diferentes.
E choraria por uma boa música e fumaria um bom cachimbo sem se preocupar com o enfisema no final de seus séculos de existência.
Gosto de Elfos pois são a aproximação fantástica do spiritu feminino...
E ainda conseguem cortar cabeças, como bons homens.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Ela é o Louvre



A Minha Linda?
A Minha Linda... Sei lá. Disse-me que tenho um brilho nos olhos. O brilho nos olhos, já disse aqui, é fundamental.
Mas Minha Linda fundamenta-se pelos dentes, ou melhor, pelo sorriso. Ela é Linda, e, Minha Linda, brilha nos olhos quando sorri. Como que automático. Como que uma decorrência natural de todo sorriso. Sim, em Minha Linda o sorriso é a própria causa de todo brilho, nos olhos, em tudo.
Em Minha Linda, então, o sorriso é o fundamento, a capacidade de rir de quase tudo e emitir luz. O sorriso de minha linda não cabe entre os lábio, deve, sua alegria, extravasar o limite dos lábios em batom.
Gosto dos batons de Minha Linda, gosto da meticulosa elegância em combinar cores, gostos, paladar. Da vida, em sí... Da sua exigência naquilo que deve ou deveria ser. E isso não seria geral para todas as lindas do mundo. Não, minha linda implica num elitismo, numa exigência, numa elegância que seria insuportável em quaisquer outras lindas. Outras lindas devem ser descoladas, a minha não. Deve ser exigente, e é Linda exatamente por isso.
A minha linda é o Louvre. Gosto muito da Feira de Caruaru, do Pelourinho, de Samba, da Lapa. Mas minha linda perderia a viajem em tudo isso.
Afinal de contas, Ela é Minha Linda e, como tal, não poderia ser diferente.

Seu sorriso não poderia ser a seriedade de outras. Seu refinamento não poderia ser a "vulgaridade" de outras belezas. Mesmo a vulgaridade, sem muito tom pejorativo aqui, pode ser
bela.

Mas não, não em Minha Linda.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Um monte de cotovelos...


Os cotovelos sustentam as letras. Os cotovelos sustentam quase o mundo...
Isso pelo seguinte, pessoas alegres se sustentam não nos cotovelos, mas no sorriso, ou naquele sorvete de creme...
A melancolia se sustenta nos cotovelos, e neles mesmos se sustentam a produção das letras. Um pouco por mim, diria, que só escrevo, ou quase só escrevo, baseando-me nos cotovelos.
Mentira? parcialmente mentira, já que digitar com o cotovelo na mesa é impossível... mas vocês entenderam...
Sobre isso de cotovelos e escrita, tem-se parte da incompreessão dos que não escrevem, ou não escrevem tanto em blogs. Uma postagem triste nao quer dizer que ou autores sejam tristes. E um blog completamente alegre quase não seria um blog.
Assim como um caderno azul não seria alegre, nem também um daqueles cadernos de escola, utilizados quase como diário, e que a menina escreve diariamente sobre o menino moreno sentado na primeira fila... E que, coitada, nem dá-lhe bolas!
Ps.: A metáfora dos cotovelos nao é minha, mas da Christine, e não poderia roubar-lhe a beleza.
Ps. 2: Achei que estava faltando um Homem Acotovelando...

domingo, outubro 15, 2006

Azeitonas

Sentia-se só e solitária. O que na verdade são coisas ligeiramente diferentes.
Foi à geladeira como quem procura um abraço. Viu um vidro de azeitonas. Adora azeitonas. Foi sem mudar a fisionomia, mas com alguma esperança. Não conseguiu, no entanto, vencer o pote. Abriu a geladeira e guardou as pequenas esperanças verdes, que não poderiam ser de outra côr.

Guardou-as como quem guarda a sí mesma.

Permaneceu, depois, sentada. Como uma tampa invisível.

quinta-feira, outubro 12, 2006

A primogênita

Eu diria que o que sou, devo ao desprezo feminino original, inaugural. Não só pela primeira, mas aquelas que se seguiram, durante anos.Esteve ali a minha "salvação", se posso colocar nestes termos.Eu tinha onze anos. Ainda quase usava aqueles bigodes ralos, típicos de uma fase de pré-adolescencia. Estava, na verdade, louco para deixar de ser "virgem de boca", como se dizia...E, numa daquelas festas de interior, festa de padroeira. Festa ótima, onde as várias amigas da prima ficavam de olho nos 'meninos da capital'. Foi ali que aproveitei a capacidade de entrosamente de minha prima e fiz 'as honras' para uma menina mais velha com a ajuda de meu 'primo mas velho', também 12. C. E. Linda, inteligente, simpática, com um belo sorriso. Deve vir dai, quem sabe, o fato de eu gostar de belos sorrisos e cérebros maiores do que o meu. Porque é bem por ai, gosto de cérebros, dentes e alegria... Entre outras coisas...Mas, voltando à primogênita, foi bem difícil. Naquele veho esquema de "diz dizer que eu disse", e que se finaliza com uma frase muito usada por mim: "Estou afim de ficar com você, você está afim de ficar comigo?" hahahhahahhahahaDá-me vontade de rir, ao lembrar dessa frase.E. C. me enrolou por dois dias, se me lembro bem. No final, ficamos em uma rua secundária, com uma amiga dela vigiando a chegada de qualquer conhecido! Afinal de contas, cidadelas interioranas, quase todos conhecemos a dinâmica.E ficamos durante algumas horas, ou sei lá quanto tempo... eu era muito mais abusado do que hoje, caractéristica que inclusive possibilitou eu colocar a mão debaixo da camisa dela, mas apenas tocando as costas! Engraçado isso, que hoje me sinto quase um 'canalhinha' por conta do abuso, que hoje seria quase tão banal! Mas tinha 11 anos, vamos levar isso em consideração... E, levando, acho que 'a menina mais velha se assustou'. E, por isso, quem sabe, desprezou. Foi uma daquelas desculpas: "meu pai ficou sabendo, nao rola mais." Na verdade nunca saberei, já que nunca mais conversei com ela sobre o assunto, mas digo que tomei uma caipirinha, ou capetão, ou algo do gênero. E cambaleei depois de levantar do banco, e chorei num canto qualquer da praça, sozinho.
Nos mais ou menos 7 anos seguintes, nunca tive qualquer "ficante" por mais de 3 encontros. Passava meses sozinho. E me esforecei, cada vez mais, em ser atencioso, já que me sentia mal ao lado dos meus amigos, sempre com muitas "ficantes", e eu sempre o pato feito da turma.
Pensando nisso, é muito engraçado. Hoje, de fato, minha autoestima é realmente grande. São poucas as mulheres que me assustam, que fazem-me sentir completamente impotente, que fazem-me fugir. Sou, quase sempre, hoje, somente parcialmente minguado.
Com a menina precebi que mesmo tendo certeza de que ficaria com ela no dia seguinte, nao há nada no mundo que garanta o desejo, o amigo, o amor, a outra pessoa. É claro que isso é uma implicação lógica complicada, já que era tão novo, e somente fui amar muitos, muitos, muitos anos depois. Não foi, pois, a menina que fez-me entender, mas a partir dela.
Mas foi o início, onde percebemos que, a qualquer momento, sendo não dada uma atenção, podemos perder-nos e perder os outros.

(Esta postagem acabou por ficar bem parecida com uma outra que eu li, mas não foi um plagio. A falta de apreço pode ter uma capacidade pedagógica muito maior do que pensamos.)
Em tempo: os meus amores também me ensinaram muito, e só depois de ser amado é que pude amar. Mas isso é assunto para outra situação.

ps.: meu pc está com problemas, entao, hoje, nada de letras coloridas, fotos, ou texto justificado. Estou sem mouse.

sexta-feira, outubro 06, 2006

O carinho pode acabar entre 'os seletos', o respeito e a polidez... não.


A paixão é sua guia. Isso é de fato difícil. Sempre quer mais ou menos, é passional, é intensa. Odeia, passa pelos corredores procurando, olha e-mails, olha a secretária eletrônica e sempre verifica se o telefone está funcionado. Fica olhando à espera de uma resposta, precisa saber das horas e sempre acha que existe algo nas entrelinhas.
Ela é pesada, penosa, linda. Sempre quer saber das coisas de modo escancarado. Sempre acha que deixaram de dizer algo. Sempre acha que a odeiam ou amam. Porque ela á assim, ama ou odeia, e se incomoda com o mais absoluto consenso. Não consegue não dar atenção. Não evita a cerveja, quer saber como seus amores estão, quer falar sobre tudo. Quer matar a aula, tomar a tequila e discutir sobre as questões etéreas e vulgares. Ir à sinuca, ao cinema, achar um local seguro para comprar maconha, comprar sorvete, comprar cachaça, tomar chimarrão, fumar cigarros, ler suas obrigações acadêmicas, ler suas obrigações cotidianas; ler as pessoas.
Isso poderia ser um processo: ela tem obrigação com as pessoas. Não nega e não gosta de negações. 'Não me neguem', quase diria, como quem pede para não ser relegada ao passado. Não quer ser o passado, e isso reflete sua incapacidade de lidar com o tempo. Não, não que tenha dificuldade com as rugas, cabelos brancos ou o futuro peito caído - ou melhor, os dois peitos... Tem dificuldade com as relações caídas, com a rotina, consigo mesma, com o tempo que a domina. Ela é improdutiva, não entrega as atividades, não lembra dos compromissos correntes, tem dívidas mais sublimes: com as pessoas.
Ela quer, então, ser cercada. Quer os seus semelhantes e os seu quase semelhantes. Ser cercada por eles, dialogar. Não muitas pessoas, mas as seletas.
Sobretudo, pessoas, ela não gosta do descaso. Façam um favor, se despeçam caso queiram distância. Sejam atenciosos e digam a ela no caso de uma necessária distância, no caso de uma necessidade de descanso para com o perfil tão difícil dessa garota. Não saiam simplesmente. Digam ‘oi’, perguntem ‘como está’, sejam polidos. Ela precisa disso: polidez. Polidez, gentileza, educação e carinho. Ou melhor, não tanto o carinho. Ela resiste à falta de um carinho tópico, determinado. Ela precisa, na verdade, do mais profundo respeito. Respeito e polidez, quase todas elas precisam...

quarta-feira, outubro 04, 2006

Fodam-se

Minha vontade, de fato, é chutar tudo e colocar um foda-se no meu MSN. Mas não, sou muito recatado para isso tudo! E sou muito mal humorado. Tanto que tenho preguiça de minha falta de paciência. Hoje tive vontade de socar um sujeito que furou fila no bandeijao. Tive vontade de mudar de curso. Quem sabe pra algo mais lúdico. Algo na comunicação ou arquitetura, design, sei lá...

Minha vontade é não pensar em nada que me faça odiar meu trabalho e em nada que me faça ter a convicção de milhões de reais do contribuinte mal empregados. Minha vontade é ter convicção de as pessoas sabem para que serve um cientista social. Afinal de contas, todo mundo sabe o que faz um arquiteto, mesmo que ele faça cadeiras ao invez de plantas de casas...
Vou fazer comunicação e me vender a algum jornal medíocre e direitista. Assim nao precisarei pensar. Ou talvez continue nas ciências sociais e comece a trabalhar na acessoria de algum fascista por ai. Nem precisa ser um fascista, pode ser um ruralista que adora dar tiro em sem-terra. Nada que exija consciência. Ai eu arrumo uma loira oxigenada, amantes, carros importados, um filho marginal, sei lá....
Não, melhor não. Vou fazer arquitura e decorar interiores. Dai poderei vestir saias e não preocupar com minhas desmunhecadas esporádicas. Afinal de contas, não fará muita difereça se não sou macho o bastante para achar normal meus grandes amigos serem machistas de merda!!! Minha desmunhecadas poderão até contar como diferencial profissional.
Algo que não me faça pensar em algo que envolva centenas ou milhares de pessoas. Nada de milhões de reais aplicados em um metodologia equivocada, porque imediatista.
Lembrei-me de um piada que adoro, justamente pela idiotice: "Arquiteto foi aquele que nao foi macho o bastante para fazer engenharia nem bicha o bastante para fazer decoração."
E o Sociólogo? Aquele que não foi avançado o bastante para fazer Jornalismo nem conservador o bastante para fazer Direito.