terça-feira, maio 10, 2011

E é um pouco além disso, também...

Bem, tentando escrever; já que estou num quarto terrível de hotel, sem nada pra fazer porque não são todos que sabem viajar a trabalho.
No "Pequeno Tratado das Grandes Virtudes" peguei o que boa parte serve como minha definição de Amor e Paixão blá blá blá".
Nem me recordo tanto mais do livro, que é belo, e tempo demais se passou desde minha última passada d'olhos. E nem sei pra quem emprestei.
De modo geral, minha dimensão [compreensão] do que seja amor e paixão (definições associadas) se diferem do que muitos costumam defender.
Primeiro uma negação absolutamente apropriada: paixão não é doença. Mas um caminho inicial, por onde, no momento de absoluta descoberta, rumamos para determinada coisa [e pessoa], nos assombramos e assustamos: como pode existir algo tão belo. Paixão é o momento da descoberta que nada tem de patológica, mas de que algo no mundo pode ser bom. Na dúvida e momento de confusão posterior, podemos transformar esse sentimento sobre o sabor de algo [como sendo bom] e simplesmente ficarmos felizes de que aquela coisa exista. Paixão e amor não são sentimentos contraditórios, mas quase tendo a acreditar que o amor pelas pessoas não possa existir sem algum momento de paixão. Paixão é [o] algo novo que nos toca, nos faz sentir que uma coisa possa ser boa por simplesmente existir e, em conseqüência, nos faz desejar que este algo exista próximo, que nos exista, pois que é algo que nos trás felicidade.
Doutro plano, paixão é o desejo ardente de se tornar parte daquilo que nos faz sentir apaixonados. Trocamos músicas, letras, livros, ensinamentos, queremos, à mesma hora, que a pessoa exista e que sejamos parte e compartilhamento dessa existência.
"Quais livros você gosta? Quais músicas? Olha no novo que descobri hoje, querido... que bonito este você, que tanto gostaria de ser parte de mim. Justamente por que me identifico. Como é bom olhar para algo e querer ser parcialmente semelhante... Me quero mudar os hábitos que te atraem, querido, e sermos justamente algo mais Uno..."
Paixão é o sentimento de que podemos mudar mesmo sendo retribuídos em um respeito e desejo pelo que já somos.
Mas que não porque sejamos os mesmo, mas que não porque sejamos estáveis e imutáveis, mas que simplesmente, com o dia a dia, nos deixamos de ver em parte e mutáveis, ver o outro em todo e estável, amamos. como que aprendendo a gostar da presença mesmo que ausência do outro. Como que gostando da simples existência de algo, ao lado, existindo. Não precisamos ver necessariamente o que amamos, e não vemos. Gostamos que exista, porque alguém que exista pode ser simplesmente. Tanto porque se conhece [acredita conhecer] os trejeitos, os modos, as estabilidades. E o sentimento vai gostando de uma coisa que já não é exatamente a do outro, mas de uma relação com nós mesmo. Uma identidade "constante", que não necessária para o espanto, para o desejo ardente, para o mais simples deslumbramento do outro para conosco mesmo. "Simplesmente é", é o que é simplesmente sendo não precisa ser admirando a todo momento. Gosto de azeitonas e o meu afastamento para com ela não me diminui a idéia linda de sua existência.
mas a existência muda. E com o tempo nos esquecemos simplesmente qual o calor da descoberta original. Rumamos ao dia a dia e nos esquecemos, pois, um dia, numa chuva, porque o desejo ardente não nos consome mais. É porque, no parar do olhar, não sabemos e identificamos como o objeto amado muda com nosso próprio amor. E, talvez pelo próprio acostumar, acreditamos ter identificado tudo que é a outra coisa. E afinal de contas, [quase] nunca identificamos mais do que uma quimera criada, em nossa própria ilusão entre aquilo que dizemos e escutamos. Entre aquilo que acreditamos dizer e escutar. Entre aquilo que vivemos e acreditamos viver. No construir de nossas ilusões, nos perdemos cada vez mais numa existência própria. E que o tempo só passa pra nós.

quarta-feira, abril 20, 2011

Quem sabe...

Estas três últimas semanas me deixaram um bagaço. Muita pressão de profissional e pessoal pro meu gosto. Este feriado será bem vindo. E vou tentar reescrever aqui. Quem sabe...

domingo, abril 25, 2010

Pois é, pra que?

Se esse filho da puta tem do que se arrepender, porque pediu anonimato?!
(Do Estado de Minas de Hoje)
***


CALEM-SE
A confissão de um censor
Funcionário da DCDP revela bastidores da censura, derruba mitos sobre o trabalho e diz como ficou marcado pelos vetos
Leonardo Cavalcanti

É mais uma sala pequena no centro comercial e engarrafado de Brasília. Na porta não há nenhuma indicação do que funciona ali. Ao entrar, o visitante sente um cheiro forte de cigarro e avista uma mesa com pelo menos 10 anos, três cadeiras surradas, agendas de plástico que, de tão antigas, já deixaram de servir como calendário e, na parede, a menos de dois metros do chão, um crucifixo de arame. Há um aparelho sintonizado numa emissora que toca apenas músicas orquestradas. O som parece não divertir tanto o dono dos objetos que compõem todo aquele ambiente. M.J, de 68 anos, é um policial aposentado que, entre os anos 1970 e 1980, atuou na Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP). Hoje, a sala comercial serve para pequenos bicos de advocacia, cada vez menos frequentes.

Em três conversas, a primeira de 40 minutos e as duas últimas de quase três horas de duração, o censor concordou em falar ao Estado de Minas sobre a atividade na época da ditadura. Pediu, entretanto, para não ser identificado por conta do estigma que carrega. M.J é um homem metódico, separa grupos de canetas e se exaspera caso o interlocutor altere a disposição dos objetos. Ao lembrar dos casos no período em que atuou como censor, revela raciocínio linear. Intercala opiniões com as informações do trabalho sem perder o fio em um único momento. Parece ter se preparado para um dia contar a história do contrato firmado com o Estado brasileiro para avaliar e censurar obras artísticas:

"Alguns dos censores tentam esquecer. Eu não, não tenho do que me arrepender, não fiz nada demais, não machuquei alguém. Sou um cara normal"

"Com o fim da ditadura, os censores passaram a ser vistos em artigos acadêmicos como broncos, mal preparados, gente a ser enganada por artistas, que, ao escrever em sentido figurado, conseguiam ludibriar a censura. É engraçado ler sobre companheiros sacaneados por terem aprovado determinada música que passou para a história como uma obra de arte contra os anos de chumbo. Não era bem assim.

Na década de 1960, houve um recrutamento aleatório de censores por parte dos militares. Gente que entrou na censura sem concurso, pela janela, e não teve uma preparação satisfatória para o trabalho. Mas isso foi no início. Essas pessoas passavam até pouco tempo na função por conta dos baixos salários. A partir de 1970, a coisa mudou de figura. Passaram a ser feitos concursos públicos e começou a se exigir nível superior.

Entrei na censura em busca de estabilidade. Tinha acabado de me formar, mas estava com 32 anos e sabia que não teria pique para iniciar a carreira com gente muito mais nova do que eu. Assim, fiz o concurso para o Departamento de Polícia Federal nos primeiros anos da década de 1970. Na época, para cargo de nível superior, existiam as vagas de perito, delegado e censor. No primeiro caso, os candidatos eram formados em ciências exatas, no segundo, em direito. Restava o cargo de censor, que previa nível superior em qualquer área.

No quadro de censores tinha de tudo, gente formada em direito, letras, pedagogia e jornalismo, por exemplo. Tinha gente preparada, que sabia o que fazer e como fazer. Havia muitas mulheres, a maioria era mulher. Pessoas que falavam três idiomas. Pode ter havido descuidos, sim, mas há casos de liberação consciente. Eu, por exemplo, jamais vetaria uma música como Pedro Pedreiro, de Chico Buarque. Havia uma crítica social na letra, mas você acha que o povão iria entender tal sofisticação? Então, por que censurar se poucas pessoas iriam entender? Não seria possível fazer revolução social a partir de Pedro Pedreiro.

Agora, para ser sincero, nunca gostei daquele trabalho de analisar obras artísticas, mesmo que na época tivesse um certo status. Ser amigo de um censor era um privilégio. A gente tinha sempre ingressos para teatros, shows e cinemas. Existia uma regra que obrigava os produtores a repassarem tíquetes para a gente. No fim de semana, se você não queria ir a um espetáculo, passava para alguém, para um amigo.

Ao acabar a censura, as coisas mudaram. Ter atuado na DCDP virou um estigma, quase como uma doença. Depois de ter sido censor, tive sempre o cuidado de me preservar na minha carreira funcional. Não podia assumir determinados postos de destaque, pois tinha medo de alguém revelar que eu tinha sido censor e minha vida virar um inferno. Alguns dos censores tentam esquecer. Eu não, não tenho do que me arrepender".


Leia amanhã - Os dribles de Chico Buarque, Marcos Valle e Vinicius/Toquinho.

E mais: Como funcionava a máquina da burocracia repressora.

quarta-feira, março 24, 2010

TFP

Olha essa porra de matéria! Mais uma da série......... Diz uma coisa, quando falam de pessoas "a pé ou de carro", querem dizer da imoralidade de alguem beber?! Adoro BH, adoro Minas, mas essas coisas dão vontade de ir pra longe.......

domingo, março 14, 2010

Savassi, diferença e o reacionarismo mineiro

Essa matéria me deixou puto. Um bando de reacionários demagogos da Tradicional Família Mineira com dificuldade de lidar com a diferença. Até parece que os comentadores, o jornalista, essas pessoas-baluarte da moralidade nao começaram a beber, não passaram a ponta da maconha pra outra pessoa, sem fumar ou fumando.


A coisa toda me paresse a porra dum moralismo. Digam aí, o que vocês faziam quando tiam 17 anos. Não eram santos, camaradas... Uma coisa (necessária) é o controle de alcool, drogas, e outros hábitos de adultos. Adolecentes têm de ser preservados pra nao cairem da esbórnia total lodo cedo... Mas isso não é lidar com a coisa como se ela nao existisse, criando uma corrente Moral que só maquia o preconceito com a diferença.


O que incomoda o jornalista ideólogo da matéria é não ter tantos cafés e bares saneados quanto ele gostaria, o que incomoda os comentaristas é verem jovens homosexuais beijando na boca, o que incomoda os reacionários é a explicita diferença. O desvio deve ser escondido.
A matéria tem mais ou menos dois tipo-ideal de admiradores:


(1) aquela donna que trabalha ou mora na região, aquele senhor de gravata, aquele moralista convicto da necessidade da resistência à degeneração pública. Ele nao dá conta de ter sido invadido seu espaço de cafés e de "saneamento social". Seu espaço geográfico é seu, de seu grupo, de sua moral. Não pode ver coisas diferenciadas, nao pode passar de carro e ver jovens bebendo, se beijando, dormindo. "O que será de meu filho", "estamos em tempos perdidos", é tudo diferente da ultima vez que ele pegou uma prostituta. Escondido, é claro.
(2) é tudo um problema da zona sul!!! Porque a polícia tem de chegar batendo nos marginais da elite, porque o fazem com os marginais suburbanos. A zona de metro quadrado mais caro é um antro da perdição urbana, e tem como baluarte da moralidade aquilo que é mais pobre. O doce selvagem é aquele que acorda cedo e trabalha, trabalha, trabalha. O pobre, o negro, o favelado, o estudante de escola pública. A classe média?!?!?! Bando de ricos que tem de tudo, dispõe de nada aos outros, vive em marés boas e são egoistas e criminosos em potencial. O problema, para este grupo, não é que o suburbio não tenha lá muita alternativa de sociabilidade. O problema é que um outro grupo tenho. Se incomodam com uma casa, um bairro, uma coisa bonita, uma viagem paga em 10X à argentina. É um rancor, um fígado mal acertado, uma inveja de uma condição de vida.


Esses dois grupos acabam contribuindo pra uma única coisa: retirar da cidade qualquer parcela de vida com grupos diferenciados, tirar a própria vida da socieda. A cidade deve ser saneada. A diferença incômoda, abolida. Cloro e detergente nos jóvens de 17 anos expondo sua homosexualidade! Vela no cu daqueles afeminados de cabelo de xapinha. Trabalho para os pseudo-punks e cabelo cortado para aqueles do rock. Se a vida urbana exige um olhar sem vida, sem visada, sem sensibilidade à diferença para que os grupos que incomodam, é porque sempre tem alguem que simplesmente nao quer olhar. Não quer ver que o mundo e os valores não se restringe àquele mundo que mais parece uma previsão do tempo, ou uma propaganda de detergente.


Tem gente que quer um mundo neutro, imparcial e objetivo. Contraste é coisa do mundo antes da queda do Muro. Hoje é o mundo do indivíduo.

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Feliz Ano Novo

Quanto tempo sem postagens! Enfim, essa é pra um feliz Ano Novo!!! Boa sorte pra vocês e pra mim...

A propósito, um ano novo bom começaria assim... Ficaram sabendo da flagrante insubordinação de Nelson Jobim e a cúpula militar? Carta de demissão coletiva?! Este é um bom texto a respeito das coisas que penso sobre isso. Boa essa carta do Alipio Freire. E o que eu gostaria de ter visto é mais ou menos assim:

Lula - Oi Nelson Jobim... Vi sua carta de demissão coletiva com o Comando. Daqui a uma hora a imprensa estará aqui. Aguardo o pedido coletivo de desculpas por insubordinação ou, coletivamente, estarão todos na rua.

Tá, podem dizer que nao seria um bom chefe de estado, e concordaria... Agora, pressão por carta de demissão, em vésperas de fim de ano; acinte ao Chefe Maior e explicita incapacidade de negociar é a puta que os pariu. Os militares têm de ser lembrados do papel democrático deles, e que quem manda é o Presidente, qualquer que seja ele.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Pois é, pra que?!

Sabe aquele mestrado, da comunicação?! Pois é.... Fui reprovado. Foi reprovado o mesmo projeto que em 2008 foi aprovado...

segunda-feira, agosto 31, 2009

Confissão

Sim, excelentíssimos. Estão certos em uma coisa: sou culpado por ter-me distanciado dos padrões morais. Não digo tanto aqueles verticalizados, estruturados, ditados de modo curto e grosso pelo coletivo. Não. Minha pena é maior: posso ser acusado do distanciamento de minhas próprias leis. Não que sejam tão somente minha, que isso não há. Leis coletivas, sem dúvida; mas leis adotadas, legitimadas, discursadas, apontadas em meus maiores momentos de oratória como o semblante de um devir humano, de um modo mais íntegro de existência.
Por este caminho, minha culpa não é tanto uma questão de ter-me desvirtuado moralmente. Não foram, então, tão somente suas leis as quebradas. Não me redimo. Pelo contrário, que o homem é tão mais culpado quanto quebra suas próprias leis.
Acertam os que vêem nessas palavras alguma onda relativista. Sem dúvida. Meu pecado é, pois, antropológico. Sou culpado por ter tolerado minha mais absoluta desculturação. Se não podem me culpar por ter sido arrancado do meu espaço, do meu tempo, da minha rotina, dos meus sonhos; podem me culpar por negligência e traição simbólica. Podem me culpar por, em momentos de maiores violências sobre mim praticadas, não ter levantado-me, não ter gritado, não ter vindo a essa côrte e dito: “ajudem-me a eu ser eu mesmo”. Não fiz tal coisa. Agüentei calado, por omissão, por medo, por vergonha coletiva. E foi então que depois de dias, rotinas, anos, horários e planos eu me tornei um maior inconfidente. Sou culpado, pois, não por no ter seguido aquilo que vocês esperavam, mas por eu ter-me permitido tornar-me alguém que não sou. E, o que é pior: nas sombras da mais obscura das casernas simbólicas, que é o próprio homem. Meu pecado, foi, pois, não o de conspiração, que é a honra dos descontes e cínicos transparentes. Meus pecados foram os inversos: de não ter conspirado, não ter feito, de não ter agido, de ter-me mostrado impassível diante de minha mais absoluta transformação.
Se, então, esse espaço foi pra mim aberto, digno de diálogo, de retrato, de mais absoluta transparência, eu simplesmente foi culpado de aqui não ter vindo em todo o processo de mudança. Receio dos inconfidentes é o rechaço. E nem todo rechaço é certo, o que se apresenta como bem pior o crime. E, quando calado passei por esses momentos de mudanças, quando acordo e não sou mais membro desse clã, dessa legião, desse grupo de amigos e amantes, não tenho mais nada além do justo rótulo de desviante, de outsider. Se pelo silêncio tornei-me, pela voz agora me declaro um culpado.

domingo, agosto 23, 2009

Projeto Cidade do Cabo 2010

Como tenho muitos projetos, vai aí mais um...

O plano é mais ou menos o seguinte. Vou ser reprovado no concurso do Ministério da Justiça e do Mestrado, que estou muito burro pra isso. Vou parar de sair porque o mundo me dá preguiça. Vou juntar dinheiro e, se tudo der certo, partirei pra Cape Town. Vou esquecer a distinção entre ser e estar, alugar uma coisa qualquer e passar o máximo de tempo possível estudando inglês.

E vou voltar (?!), ingenuamente acreditando que algo muda, e que isso realmente vai ajudar a me encontrar. Senão eu não volto, fico mais uns meses e serei escalado para a seleção.

Ou então eu não consigo juntar dinheiro e darei seguimento à essa vida medíocre. Até ficar de saco cheio, colocar uma mochila nas costas e concretizar o meu velho projeto de virar hippie.

quinta-feira, agosto 13, 2009

P0LÔNI0: Chega, Ofélia, para aqui... Majestade, ora busquemos nosso lugar. E tu, lê neste livro; a leitura pretexto será para tua solidão. Freqüentes vezes somos passíveis de censura, pois abundam provas sobre isso, de que com bondade simulada e ações pias conseguimos tornar açucarado o próprio diabo.


O REI: (à parte): Quão verdadeiro! Como essas palavras me chicoteiam fundo a consciência! O rosto rebocado das rameiras não é mais feio, sob a artificial beleza, do que a minha ação debaixo do verniz com que a enfeitam meus discursos. Oh fardo horrível!


P0LÔNIO: Ei-lo que chega, meu senhor; saiamos.

(O Rei e Polônio saem.) (Entra Hamlet.)

HAMLET: Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se.Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do ensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem. Mas, silêncio! Aí vem vindo a bela Ofélia. Em tuas orações, ninfa, recorda-te de meus pecados.

segunda-feira, junho 22, 2009

Assistidos?!

Pois bem... Estarei, provavelmente durante muito tempo, com uma marca de dois ou três pontos na sobrancelha. Perto de um dos meus pontos de ônibus, tem uma pequena ribanceira, de dois a três metros. Ontem, pisei em falso e cai... Rolei. Cheguei com o "rosto" aberto em casa, e parti, pelas 24:00 horas, ao hospital mais próximo.
lá chegando, fui super mal atendido; esperei horrores; fui atendido por um médico filho da puta que não perguntou o que aconteceu; não falou quanto tempo fico com os pontos; nao passou analgésico nem antibiótico; não tirou chapa da minha bacia (estou com um dor relativamente boa...) nem da cabeça; questionei o atendimento estúpido do médico e fui agredido pelo guarda municipal; depois fui destratado pelo atendente.
Pra piorar, vi agora pela manhã que perdi meu celular na queda. Puta que pariu.
Hoje não vou trabalhar, vou ver como está minha situação na Unimed e vou elaborar uma denúncia do atendimento do hospital.
É triste pagarmos tantos impostos, recebermos um atendimento como se fosse favor e estarmos super mal assistidos...

sábado, maio 30, 2009

Como seria?

Queria escrever coisas bem escatológicas. Falar de cú, porra, cadáveres, passado, amor, trabalho, profissão, padrão.
Mas não dou conta de falar isso. Sou um púdico da porra.

Estava lendo outro dia o poetinha: A hora íntima. "Quem pagará o enterro e as flores // Se eu morrer de amores?"

Pensava, durante o banho. Como seria?

Morreria no carro, numa tentativa de assalto, ao reagir no sequestro da menina? Levaria um tiro, provocaria uma indignação da violência durante quanto tempo?

Ou morreria de um câncer qualquer? Tal como o pai. Um câncer do resultado de uma vida desregrada, uma vontade de respirar, um cigarro sempre aceso, uma vontade do aproveitar. Uma vida que duraria um tempo de dois tragos. Uns quarenta ou cinquenta anos. Um "Ele buscou isso"...

Morreria num roupante, num desespero por uma empresa falida, os sessenta, sei lá... Um tentativa de vôo de uma cobertura alto luxo, em algum bairro limpo e importante, de alguma grande cidade? Uma matéria inexplicada num jornal, ou o silêncio moderado. Suicídios nao se publicam.

Ou morreria de uma doença simples e brutal, os 30? Num país africano, asiático... Uma vontade de conhecer o desconhecido. Uma viagem. Uma cólera, uma cobra? Há quantos km do consulado? Quantos meses ou semanas de falta de notícias? Quantos e-mails não respondidos?

E como seria? "Quem pagara o enterro e as flores // Se eu morrer de amores? // Quem, dentre os amigos, tão amigo // Para estar no caixão comigo?"

terça-feira, maio 26, 2009

Carta de Emilie Sauvignon

Você sabe que está adulto quando sente solidão. Quanto mais pessoas você conhece, maior a solidão do mundo. E quando mais as pessas se falam, maior a potência de não se entenderem. As palavras eram mais precisas em cartas; e as pessoas, mais próximas.





sábado, maio 16, 2009

Notas

*Passeata Gay barrada em Moscou. Este marxista liberal ficou se perguntando: "que diabos. Como podem ter passado por uma revolução durante tanto tempo e serem tão atrasados?" Pergunta retórica de um Marxista Liberal, é claro.

*É uma merda isso de mudarem padrão de vestibular na ultima hora. Os vestibulandos devem estar loucos. De qualquer maneira, se na minha época existisse um vestibular +- unificado, provavelmente nao teria feito a prova 3 vezes.... E acredito que teria feito meu curso em algum litoral ensolarado do nordeste....

*Uma pessoa que tem 50.000 na poupança deveria pagar por isso... Porque diabos até agora poupança não pagava I.R??? E os jornalistas "revoltadinhos", porque, afinal de contas, ninguem gosta de pagar imposto no Brasil....

*1:00 e minha mãe liga pra Puliça: "Oi, botá fora é crime?"; "É! É sim!"; "Porque tem 2 homens jogando entulho em frente à minha casa"; "Não, mas pra isso você tem de ligar pra prefeitura"; "Prefeitura está aberta agora?"; "Não"...

*Repararam que os jornais estão se lixando pro nome do deputado que estava se lixando e este acabou ganhando isso como apelido?

*Vou mandar um DVD do Anjos e Demônios pro Papa. (o Obama presenteou a rainha elizabete com um ipod e o 1 Ministro com mas de 50 DVDs)

*Vou jogar na Mega-Sena

sexta-feira, abril 24, 2009

Que merda de foto....

Este não é o Ramiro...

E isto não é um cachimbo....

segunda-feira, abril 13, 2009

I

Uma das coisas que aprendi nos últimos anos foi a ficar calado. Naquele momento que a garganta cala, que a alma e a mão vacilam, que a palavra é alguma coisa de não saber direito ou saber muito.... Neste momento, aprendi a não falar. Simples assim... É a porra de um hábito difícil de perder.

domingo, abril 12, 2009

?


Qual é a cor da sua saudade?

quarta-feira, abril 08, 2009

O Grande Circo Místico

Na Carreira

(Chico Buarque; Edu Lobo)

Pintar, vestir// Virar uma aguardente//Para a próxima função//Rezar, cuspir//Surgir repentinamente//Na frente do telão//Mais um dia, mais uma cidade//Pra se apaixonar//Querer casar//Pedir a mão

Saltar, sair//Partir pé ante pé//Antes do povo despertar//Pular, zunir//Como um furtivo amante//Antes do dia clarear//Apagar as pistas de que um dia//Ali já foi feliz//Criar raiz//E se arrancar

Hora de ir embora//Quando o corpo quer ficar//Toda alma de artista quer partir//Arte de deixar algum lugar//Quando não se tem pra onde ir

Chegar, sorrir//Mentir feito um mascate//Quando desce na estação//Parar, ouvir//Sentir que tatibitati//Que bate o coração//Mais um dia, mais uma cidade//Para enlouquecer//O bem-querer//O turbilhão

Bocas, quantas bocas//A cidade vai abrir//Pruma alma de artista se entregar//Palmas pro artista confundir//Pernas pro artista tropeçar//

Voar, fugir//Como o rei dos ciganos//Quando junta os cobres seus//Chorar, ganir//Como o mais pobre dos pobres//Dos pobres dos plebeus//Ir deixando a pele em cada palco//E não olhar pra trás//E nem jamais//Jamais dizer//Adeus

Defendendo as maiorias? Que maioria?

Vamos falar de Política e Ódio. Esse par de palavras me lembra de intolerância, minorias e todas aquelas coisas. O esquema é mais ou menos esse, venho caminhando rumo à um ódio para com o ilustríssimo Governador de São Paulo Ex-ministro da Saúde Pretenso candidato à Presidência, José Serra.

Se eu fosse norte americano, na década de 1950, provavelmente o serra para presidente seria como eleger MacCarthy. Não que eu seja um comunista, mas estou naquela linha tênue. E como Ford (e Chaplin) foi processado por comunismo, não tenho a menor dúvida que eu seria queimado em praça pública.

Pois bem, um sujeito, que em prol da bandeira anti-tabagista de saúde pública, define as regras atuais para o cigarro em São Paulo, não passa, para mim, de um autoritário. Ah, alguns podem falar sobre o fato de que é uma minoria a de fumantes. Sem dúvida, mas é justamente sobre minoria e direitos individuais que estamos falando. Calma aí, que minoria, "Cara pálida"?!

Em pesquisa realizada pelo ministério da Saúde, a VIGITAL2009 (clique aqui para ver a pesquisa), temos o seguinte resultado:

São Paulo é a capital do brasil com maior porcentagem de fumantes, 21%. 15,1% de mulheres e 27,7 de homens. O que estamos vendo aqui. Considerando o gênero masculino, temos quase entre 1/4 e 1/3 da população sendo discriminada. (a palavra é forte, mas é discriminação. Pra não falarem que escrevo em causa própria, e nao dou correta definição às palavras, vamos ao Aurélio:

discriminação
[Do lat. discriminatione.]
Substantivo feminino.

1.
Ato ou efeito de discriminar.
2.
Faculdade de distinguir ou discernir; discernimento.
3.
Separação, apartação, segregação:

Se, de modo geral, cerca de 1/5 da população, e 1/4 ou 1/3 dos homens, são obrigados a se retirarem de todo lugar, para fumar; se esse hábito torna-se requisito para discernir direito a estar em espaços; se essa porcentagem, que na minha definição é enorme, tem todo o direito cerceado de estarem em lugares fechados, ao contrário do que já pregava a lei federal; não há outra palavra para definir do que discriminação: "Separação, apartação, segregação"
.

As frações acima são engraçadas. Parecem pouco, mas vamos pensar em pessoas. Uma a cada cinco pessoas; Uma a cada quatro, uma a cada três... Segundo o IBGE, 2008, são quase 2 milhoes e duzentas mil pessoas proibidas de tomar sua cervejinha e fumar o seu cigarrinho... (claro que seria necessário cruzar os dados dos fumantes e bebuns, mas vou considerar que todos os fumantes, se desejosos de beber, estaria proibidos de fazê-lo em bares fechados; eu só conheci uma pessoa que nao bebia mas fumava. Era islamica...)...

É claro, tem aí quase 9 milhoes de pessoas que nao fumam (estou falando somente da cidade de São paulo), mas o caso, queridos, é que me recuso a pensar em 1/5 como tão minoria assim...

Pra mim, é uma perseguição às Bruxas. Uma parcela importante da elite política simplesmente, por motivos mais variados, não gosta que as pessoas fumem. E, como "as pessoas não são capazes de decidir o próprio futuro, ou perceber que o fumo deve ser abandonado, paulada nelas". É o estado tutelando os cidadãos.

na pesquisa do ministério, que tem um capítulo especial para o "tabagismo", lê-se, no cabeçalho: "MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Vigilância em Saúde
Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa"

Ai, ai, ai.. ai ai ai ai!!!!!!!

Que porra de "gestão participativa" é essa?!?!?!?!?!? Vai aí uma hipotese minha: "no brasil existem menos de 20% da população que realiza atividades política e mobilizadoras institucionalmente consolidadas, como por exemplo partidos políticos, movimento dos sem-terra e tal". Tá, falo isso quase só da minha cabeça. Agora, onde está essa "Gestão participativa" que criminaliza o uso do cigarro? (estou misturando alhos com bugalhos, que uma coisa é o ministério, outra é o "Serralhar" antitabagista. Mas a questão é, de forma geral, que estamos passando por um momento histórico de criminalização do tabaco. E eu não estou afim de ver o Serra realizar sua política no país, seja ela a parte neoliberal, seja ela a porra do controle sobre a "minoria" de 20% da população.

A caça às bruxas é só mais um motivo e postura autoritária que me faz acreditar que isso do Serra ser presidente não é uma boa pro país. Não acho que isso é uma coisa realmente democrática, essa gestão no aspecto comportamental e da propriedade privada, por lei de estado. E isso, sinceramente, não falo somente por que eu amo cigarro. É um esquema que vem de minha origem liberal mesmo. E o esquema é até onde estas coisas podem ir. Acho que uma proibição (com "boas justificativas" puxam outra).

(Vai ter muito bar registrando-se como tabacaria...)